contextualizando o mimimi

ou: vamos fingir que ninguém notou que estou mais insuportável do que o normal.

porque eu estou, né. fazendo a licenciatura. daquele jeito. porque vocação ainda não passou por aqui mas vá lá. e eu fiquei muito satisfeita comigo mesma quando descobri que já havia feito quase todas as disciplinas e só faltava, basicamente, o terror final: 300 horas de prática de ensino.

fiz o que qualquer pessoa (?) sensata (??) faria: abandonei tudo o que não fosse urgente (e até algumas coisas que eram) para conseguir pegar o máximo dessas 300 horas ainda nesse semestre e o resto depois eu via. "depois eu vejo" é o mantra de toda uma vida, mas naquele momento específico parecia, sim, uma solução viável.

e aí o que acontece? eu não consegui começar a estagiar até hoje. e não sei se vocês têm acompanhado a folhinha, mas né. cabou abril já. e eu aqui de férias forçadas & eternas.

enquanto isso o sistema, que é LEGAL, manda avisos quase que diários a respeito do meu prazo estourado para me formar. e olha, total agradeço a atenção mas eu já tinha descoberto sozinha, sabe. terrorismo nessas alturas não ajuda. 
então pensei em fazer uma listinha do que ajuda, porque talvez assim, quem sabe, a humanidade comece a dar uma dentro comigo.

coisas que ajudam:
  • rodízios. eu nem quero saber do quê. só quero a sensação reconfortante de ter uma pessoa me oferecendo mais e mais e mais comida.
  • me levar pra beber (e tomar conta de mim).
  • combinar as coisas e efetivamente fazê-las. não queria? não sugira. é tão fácil quanto parece.
  • filmes bons. ou pelo menos filmes em que os personagens façam sentido. gente, se eu quiser incoerência vou ali ler meus diários.
  • entender que sim, eu estou pior do que a hiena hardy, mas preciso e mereço mimimizar até a fase passar, então por favor não me venham com mensagem motivacional que eu não tô podendo e falar de mim é fácil difícil é ser eu.

é difícil? nem é, vai.
então tá bom, podem começar a praticar. 1 2 3 e já.
daí que quando você acha que minha vida não pode atingir níveis mais elevados de ridículo, entra uma abelha no meu sapato e sou obrigada a levantar e DANÇAR CAN CAN no 485 lotado no meio da avenida brasil.

- mas como você conseguiu essa proeza, meu deus?

- muito simples, ué:
(antes que perguntem, eu não usaria um sapato amarelo assim, né, gente. que com essas pernas finas ia parecer tipo a garça humana.)

consegui tirar o sapato e matar o bicho sem levar uma picada nem um tapão das pessoas que empurrei, e me senti muito vitoriosa (hahahaha, expectativas baixas a gente vê por aqui) porque minhas picadas de abelha sempre envolvem situações ridículas.

exemplo 1: fui picada dentro da boca por uma abelha que se enfiou dentro de uma lata de coca-cola. eu estava no saguão da biblioteca da escola para pedir uma informação, não tinha nenhum adulto perto e, espertona que sou, pensei: "ah, o que custa dar só um golinho?". custa que a merda da abelha cravou o ferrão na minha boca como um bonito piercing com asas e eu cuspi coca-cola por todo o salão. pessoas incluídas. pessoas por quem eu nutria um amor platônico, ok? é pra fazer merda, a gente faz direito.

exemplo 2: estava voltando da faculdade, na linha vermelha, a abelha entrou por uma fresta mínima na janela do carro e veio direto pro meu pescoço. eu gritei e me abaixei e todos me imitaram, achando que era tiro. visualizem a cena. quatro pessoas num carro gritando, uma porque levou uma picada e as demais sem ter a menor noção do real motivo. quando expliquei senti que rolou até uma certa decepção, hahahahah.

porque aparentemente uma ferroada não é o suficiente. é preciso que ela venha acompanhada de humilhação.
mas admito que agora estou meio temerosa por ter frustrado a brinks do divino. vai saber que tipo de gracinha ele vai inventar na próxima rodada.
eu me tornei supersticiosa.

de repente há tanta coisa na minha cabeça e nenhuma palavra que dê conta. elas se recusam. elas fogem para um lugar que não consigo alcançar, num esforço teimoso e completamente inédito de autopreservação.


meus dias se tornaram mais silenciosos do que o normal. e veja que de normais eles já não tinham nada.
eu tinha duas opções para esse feriado.

opção 1: búzios, churrasco, álcool, constrangimento alheio, mais álcool, constrangimento próprio, outra vez churrasco, mais álcool, constrangimento coletivo e assim sucessivamente até a noite de segunda ou chamarem a polícia.

opção 2: tomar conta do gato da minha sobrinha, que é um stalker mais profissional do que eu e vocês todos juntos e checa todos os meus movimentos, tendo 37 crises alérgicas por dia, comendo salgadinho requentado e sem nenhum tipo de vida social offline perceptível.

evidentemente foi dificílimo chegar a uma decisão, mas consegui.

tô te vendo, moça :}
aí me dizem que evoluí e não estou muito certa de que darwin concordaria, mas não vou questionar porque tô calma, tô boua, tô num sossego que nunca na história desse país. me deixa aqui com meu gato emprestado e meu skype e meus filmes pedantes.

afinal se bater um tédio sempre existem opções de diversão, ué.


sim, é um convite. de aniversário. do sambárilove. e estava colado no caixa de uma padaria. tipo pra geral, sabe. só chegar.

e a gente achando que era forever alone, hein.


(blogger deu tilt e só anexou as fotos agora, de modos que não consegui divulgar o aniversário de sambárilove pra vocês a tempo. uma lástima.)
define. :~
hoje de manhã, quando o despertador tocou, eu estava sonhando. e era uma coisa tão nítida que eu pensei "mas nem que me paguem levanto daqui agora". virei pro lado e retomei o sonho...

... só para ser acordada pela campainha meia hora depois. pra atender o encanador.

porque né. não basta ser atirada de volta à realidade. eu sou logo atirada um nível abaixo na escala da derrota e preciso socializar com seu joão, também conhecido como o homem que mora em meu banheiro. e deve achar muito interessante, por sinal. ele não vai embora nunca mais.

primeira vez que seu joão veio aqui foi na semana passada, para instalar a pia. ele ficou cerca de 50 minutos no banheiro, fazendo barulho com sua maleta de ferramentas. por fim saiu e perguntou:

- quer que coloque a pia no lugar?

nnnnnão, seu joão. a gente te chamou pra perguntar sua opinião, só. tá bonita a pia nova? achou que a cor orna com os azulejos? mas instalar, mesmo, não precisa não. só se o sr quiser muito.

aí ele disse que não tinha como botar a pia no lugar aquela hora não. hahahahahahhaha. então tá, né. valeu pela visita.

agora a pia foi instalada e seu joão tá lá exercendo seu ofício de descobrir qual o problema no encanamento do banheiro. exercendo muito mal, por sinal, porque continua tudo entupido. mas detalhes. o que me diverte é:

1. seu joão é casado com uma mulher maluca que liga a cada 10 minutos. esse fato isolado já faria meu dia porque a cada vez que ela liga eu me sinto equilibradíssima, uma flor de pessoa. mas o melhor é que

2. o toque do celular de seu joão é ben.


e toda vez que menino michael começa com seu "ben, the two of us need look no mooooooore" - o que já aconteceu umas 37 vezes só hoje - eu visualizo um ratinho vindo pelo cano e falando "ok, cheguei, agora PELO AMOR DE DEUS DESLIGA ESSA MÚSICA.". e rio, invariavelmente.

mas aí pensei que se um dia perguntarem o que eu estava fazendo em abril de 2012, minha resposta será: "tava em casa rindo do ringtone do encanador e comendo lasanha direto da embalagem pra evitar a fadiga de lavar um prato."

não sei por quê, mas depois disso fiquei meio deprimida.
ter gatos é precisar levantar da cama depois de virar a noite e ter dormido por alucinantes... errr... 40 minutos, para buscar uma caixa de papelão na área de serviço apenas porque seu animal de estimação decidiu que não pode dormir em nenhum. outro. lugar.
e, claro, acabar de espantar o sono que já inexistia.


avaliem a proporção entre o tamanho da gata e a profundidade da caixa e pensem quão agradável é ter um trambolho desses no seu chão. e claro, eu poderia fazer a desentendida. mas sim, ela grita até ser atendida, sim, ela faz motim, e não, você não vai querer pagar pra ver. porque você começa pagando pra ver e termina pagando rolos de papel toalha, lápis, cadarços de tênis, aparelhos de dvd, câmeras e ultrassonografias pra descobrir por onde andam aqueles 20cm de lã que ela engoliu.

cabei de comer uma bola de algodão também. shhhhh.

só a flora expulsa os mimimi do corpo das pessoas.

31 dias.


uma pessoa pode passar a vida inteira sentindo saudades sem saber do quê. arrastando esse vazio como uma mala cheia de pedras.

ou pode descobrir que essa saudade tem nome e rosto e voz. e é real. e faz uma falta que meu deus.


e eu nem vou me atrever a fingir que sei dar uma conclusão pra esse post.
dói pra caralho. e fim.

duas questões edificantes:

1. como que a gente consegue estabelecer - sem margem para existencialismo nem mimimi bêbido depois de 4 taças de vinho duvidoso - o limite entre o que é cuidar da própria vida e o que é ser egoísta? porque quais as chances de tirar alguém do poço se você mesma está lá embaixo junto e nem rola uma cordinha? será que é tudo um grande salve-se quem puder?

2. é possível ponderar esse tipo de coisa sem COMER O MUNDO NO PROCESSO? eu e um pacote de doce de leite em cubinhos chamado xamego bom (põe bom nisso, rapaz) temos uma certa urgência na resposta.

obrigada.
não fico mais fazendo mea culpa, porque olha, taí um troço inútil. mas continuo tendo essa necessidade descontrolada de ENTENDER. de chegar à raiz do problema. é repassando minha infinita lista de cagadas que compreendo como (não) cheguei aqui. e acabo vendo tanta coisa, mas tanta, que não consigo dizer uma única palavra coerente a respeito. hahahahaha.

o problema é nunca saber se estou passando por algum desses momentos transformadores em que você descobre o que está fazendo e o que quer para a sua vida, ou se é apenas outro momento senta-e-chora-fodeu-tudo-morri-adeus.

na dúvida, sigo caladinha.

post secret de hoje


falou aí por uns cinco anos de terapia.

por outro lado, hoje ouvi um "eu tô te achando bem melhor, por incrível que pareça" e bem fiquei tentada a concordar. :)


mas não foi minha mãe que falou, claro.
na noite de sábado eu fiquei um pouco triste, fui ao mercado e voltei com uma garrafa de um troço chamado sunny days, só porque achei o nome bonitinho. e bonito é o estado em que ele deixa a pessoa também, hahaha. 

sei que sentei com os neurônios afogados em sunny days e escrevi coisas. e as pessoas entenderam perfeitamente.

eu fico ao mesmo tempo tão grata e tão chocada quando as pessoas entendem.

mas ontem era sexta-feira. e não sei qual é o protocolo pra se ficar triste numa sexta ensolarada às duas da tarde. daí me vesti e peguei o ônibus que fazia o caminho mais longo. porque não estava especificamente interessada em chegar a parte alguma.
o meu horóscopo na tv do ônibus dizia que:
"a falta de perspectivas pessoais não são motivos suficientes para fazer dramalhões."
assim, com as concordância tudo cagada mesmo. e eu fiquei pensando se não seria o caso de voltar pra minha residência imediatamente. porque se não vou poder fazer dramalhão what's the point, estrela guia?

mas abstrai e fui.
porque minha vida atualmente se resume a esse comando: abstrai e vai.

~

- alguém misturou rivotril com álcool.

- cara, reflita que eu misturo e não faço essas coisas.

- porque você tem classe (quem diria, né? esse ano tá revelador).

- hahaha, NÉÉÉ?

<3
passei cerca de 3 dias assustadíssima
(como numa espécie de esquenta para a crise dos 30)
me perguntando "meu deus, meu deus, o que foi que aconteceu, olha essas rugas, o que faço com esses poros arreganhados, quantos rins são necessários para pagar um botox?".
aí me toquei que estava me olhando no espelho de aumento. 

RISOS.

só preciso de rins para mandar fazer uns óculos e voltar pro psiquiatra, portanto.
nossa, bem melhor.
ao longo do último mês eu meio que superei todos os limites do destrambelhamento e falta de prumo. ao ponto de não conseguir assistir um filme do início ao fim sem precisar voltar infinitamente as cenas, sem entender o que tinha acontecido porque minha cabeça estava caraminholando bem longe dali.

então no feriado aproveitei para ver os filmes que havia abandonado antes do fim. o que não significa que esteja menos fora da casinha, óbvio. só voltei a disfarçar melhor.


(agora cuidado com os ~spoilerers~)

comecei a assistir a lei do desejo numa quarta-feira demoníaca enquanto esperava a aula começar. eis o lado bom da sociopatia: você pode perfeitamente ligar o notebook no meio da praça de alimentação e assistir viados sicomendo sem receio de ser interceptada, porque as pessoas te acham meio doida e te evitam. almodóvar me anima muito porque nos filmes dele ninguém tem pudor de chorar, fazer drama e ser cafona. e de brinde sempre rola um travesti.

ficar super chatiado e botar fogo na casa da sua irmã transexual ao som de
trio los panchos porque antonio banderas DE CUECA BRANCA cometeu a
 indelicadeza de se matar: quem nunca, não é mesmo?

estava tudo indo muito bem, aí comecei a esmerdalhar assistindo before sunset. porque reflita. eu curto muito before sunrise. pode me julgar. acho delicadinho e doce justamente por mostrar que as coisas não precisam ter continuidade pra serem boas. aí vão lá e cagam na própria moral da história e fazem uma sequência que NÉ? precisa? nove anos depois? aquela céline recalcadíssima dando faniquito sendo que foi ela que não apareceu no encontro? e ethan hawke? gente. sério. alguém me explica o embarangamento de ethan hawke.

MAGINA AMG TÁ IGUALZINHO
1:20h de vida desperdiçada, mas não ligue ainda! porque não tenho limites e achei de bom tom fechar o feriado assistindo taxi driver.

olha,
OLHA,
corro o risco de atrair a ira de cults pedantes aleatórios mas por favor, eu preciso falar. QUE FILME CHATO DO CARALEO, meu deus. o cara é um taxista stalker que não dorme e cisma com uma estranha, daí um dia eleva tudo ao próximo nível, invade o trabalho da fofa, a convida pra sair e ela vai. mas hein? vamo trabalhar essa carência? aí a mulher cai na real e desiste, de niro fica NERVOSÃO e planeja um atentado, mas nem isso o desgraçado consegue fazer direito, mata uns marginais aleatórios e vira herói. tipo. é sério isso?

revolts :~
não, mas aí estou terminando o post e surge minha mãe.

- o que é esse homem bebendo e se sacudindo? (eu senti que ela quis MUITO perguntar se era algum amigo meu, mas se segurou)

- é o robert de niro trabalhando super bem em taxi driver.

- noooooooossa, muito bom esse filme, ele mata vários marginais! vi no cinema umas 3 vezes, porque seu pai adorava!


hahahahahahah, gente.
não
tem
quem
diga?


+_+
para vocês verem como as prioridades equivocadas são uma característica genética: liguei pra minha mãe pra contar que quase fui assaltada ao descer pra comprar um hamburguer. e a única indagação que ela julgou pertinente foi "pelo menos era de frango?".

porque apanhar de delinquente pode. comer jesus metaforicamente, não.

~

- MAS RAQUEL, VOCÊ PEDIU UM HAMBURGUER?
- NÃO, MÃE. EU PEDI O SANDUÍCHE MAIS BARATO QUE ELES TINHAM. POSSO FAZER NADA SE COINCIDIU.

~

e ainda perguntam por que eu saí extraviada desse jeito. gente, não é como se eu tivesse *escolha*.
porque às 10 da manhã eu já estava na vibe de escrever coisas como:
tá tocando creep na minha vida. em loop. aquela versão reggae.



e olha, isso MAL DÁ CONTA DE DESCREVER A SITUAÇÃO.

não reclamem, que vocês já sabiam.

era apenas uma questão de tempo até sentir falta e resolver voltar para cá. o que me faz pensar que mantenho com esse blog um relacionamento mais duradouro e saudável do que com 97% das pessoas que conheci nos últimos 4 anos. e isso só pode dizer alguma coisa muito esquisita a meu respeito.

(alguém chocado aí? não, né?
enfim.)

mas no final todo mundo é esquisito. ontem, esperando o ônibus, fiquei escutando a dr de um casal bem novinho. eles brigavam porque o menino gosta de dormir quando chega da aula. a namorada, revoltadíssima, considerava esse hábito um entrave dificílimo pro relacionamento porque perdia o precioso tempo dela vendo o menino dormir. e eu fiquei ali com a maior cara de bunda da história pensando que muito gostaria de poder me dar esse luxo e com vontade de virar um tapão nela e gritar BITCH, PLEASE. cismando se é inevitável a gente se acostumar com as coisas só porque elas estão ali, sem lembrar que amanhã podem não estar mais.

aí pensei que todos MERECIAM partilhar desse meu momento de extremo mimimi.

hahahahah, não, gente! mentira! eu tô controladona!

o les jours tristes vai continuar aberto. porque tenho muito amor por ele.
os arquivos de 2008 a 2012 estão semi-organizados aqui.

e é isso.

se eu disser que agora vou sossegar aqui ninguém vai levar a sério, claro.
mas vou. :*