nós achamos que pega muito mal falar da identificação NERVOSA que rolou ao ver isso. então nós vamos fingir que colocamos essa figurinha aqui muito casualmente, só porque achamos engraçadinha.

rs.


(30 anos de relacionamentos sócio-afetivos - ou a falta deles - resumidos nesse ~suspicious~. o horror, o horror.)

mas nada é tão ruim que não possa piorar

e por razões que o próprio masoquismo desconhece virei a noite assistindo welcome to the dollhouse. pra acompanhar toda essa auto-análise desenfreada de meu deus. e depois nunca mais dormi na vida, óbvio.

porque aparentemente revisitar o passado de 75 formas diferentes e uma pior do que a outra ainda não tá de bom tamanho.

por que será que eu faço esse tipo de coisa, não é mesmo?


precisa?
não apenas continuo viva como passei todo o meu sábado em lenta agonia traduzindo um artigo sobre maconha. dez pra uma da manhã e eu aqui baixando resumos da forensic science international como se não houvesse amanhã. porque nesse ritmo é bem provável que não haja, mesmo.

minha vida é ridícula, já mencionei isso hoje?

daí tem todos os termos e procedimentos que outrora me foram familiares. sequenciamento de dna e pcr e as desgraças todas. e gente, não é incrível que eu tenha passado longos anos da minha vida lidando com isso numa base regular e agora não lembre de nada? não é mais incrível ainda que eu tenha quase virado biomédica, pra começo de conversa?

nem questione.

a parte do meu hd mental responsável por armazenar esse conhecimento está tão vazia que faz até eco, só isso que eu sei.

a crise alérgica/peste negra/VOODOO segue firme, pra facilitar ainda mais o processo.

no desespero acabei desenterrando uns 35 cds com arquivos velhos porque em algum lugar eu precisava ter armazenado aqueles maravilhosos protocolos de 2005. não encontrei até agora, porque no meio do caminho havia fotinhas e o fantasma do natal passado: uma raquel de 2 anos de idade já cheia de rinite-bronquite-sinusite-asma e com a cara de desalento que só uma respiração precária é capaz de proporcionar.

cadê. meu. ar.
mas o que adoro mesmo é o diversificadíssimo kit-doencinha que eu carregava pela casa. um álbum de fotos, uma mamadeira, 17 chupetas e suzete, a boneca hidrocefálica. 
(esse álbum inclusive acabou aparecendo junto com todo o resto do entulho no episódio da cômoda. ele contém as fotos do meu segundo aniversário, evento para o qual minha mãe me vestiu com uma roupinha assustadoramente masculina. gravatinha, suspensórios, a porra toda. jamais compreenderei a motivação. jamais perguntarei também, porque temo.)



1:40 da manhã, algo me diz que tô procrastinando de leve aqui.
hmmm.
ontem teve esse evento da entrega da cômoda em minha residência. cômoda esta que minha mãe mandou fazer para o meu quarto uma vez que não conseguiu encontrar dentre todos os modelos disponíveis em todas as lojas do rio de janeiro algo que a agradasse. ela achou melhor fornecer as medidas a um carpinteiro e esperar ele fabricar um móvel inteiro. 

o que eu acho que ela não tinha considerado é que o carpinteiro poderia interpretar as medidas como uma mera sugestão e fabricar um móvel completamente incompatível com a vida. uma aberração. um mamute com gavetas. 

quando cheguei em casa e me deparei com aquele carro alegórico na sala eu ri. de nervoso. porque não era algo arrastável. ou carregável. ou cabível. mas fui lá desafiar as leis da física. arranquei todas as gavetas para facilitar a passagem e imediatamente os gatos entraram pelos vãos e começaram a se bater lá dentro. 

nesse ponto ainda eram 18h e eu ainda estava achando a experiência engraçada e válida.

três horas depois eu já tava ok de experiência por um dia mas a cômoda seguia não cabendo em nenhuma parede. em nenhuma posição. esvaziei todos os armários e todas as prateleiras e todos os reservatórios de mofo e nada. tirei uma estante do quarto. nada. entrei naquele ponto sem retorno em que a crise de rinite resolve virar crise de bronquite e chorei. mas chorei lindo.

nesse meio tempo, por razões que não mais recordarei, bianca achou que me animaria me apresentando ao trololo.


e gente, taí a trilha sonora de toda uma existência. a vida canta o trololo pra mim a cada nova comida de cu, tenho certeza. 

com o trololo no repeat concluí que não tinha muito como a situação ficar pior e terminei de botar o quarto abaixo. aparentemente empurrei os móveis com os joelhos, porque nada explica tantos hematomas. um pedaço de parede se foi e as prateleiras da estante estão todas meio bambas de tanto serem sacudidas de cá para lá. mas o milagre do encaixamento dos móveis finalmente deu-se por volta da meia noite.

viva o trololo, minha gente.

as pilhas de livros e dvds e roupas e fotos continuam por todo o chão. estou morando num brechó. ou melhor, estou desmaiada num brechó, porque só o polaramine e o hixizine salvam a vida da pessoa. durmo, acordo destrambelhada sem saber onde as coisas estão, levanto pra procurar algo, tropeço, desisto, durmo de novo. levei 24 horas para lembrar que tinha deixado o peixe na bancada da pia da cozinha, como ele não levou um esguicho de detergente nós jamais saberemos. quer dizer. tá legal, tá bacana. tá insalubre. tamos respirando a uns 30% da capacidade pulmonar, a caminho da fermentação. a qualquer momento começarei a produzir meu próprio etanol. o que, convenhamos, seria merecidíssimo.
no último episódio tinha essa pessoa das pedagogias extremamente aflicetada com os rumores da greve. com o resultado da assembléia a mulher abilolou um pouco mais e marcou um encontro de caráter emergencial para debater a greve que mal tinha completado 12 horas. ela precisava compartilhar impressões

a minha impressão é de que essas pessoas bebem muito daime na troca de turno. sabe? é minha única impressão. porque eu chego lá às 19h com meu toddynho, sento discretamente do lado de fora da ~roda~ (uma vida inteira sentando do lado de fora da roda, anos de prática) e as pessoas estão lá pirando na revolução imaginária. teve inclusive esse jovem que num momento de maior exaltação falou VAMO INVADIR A REITORIA GENTE.

opa, vamo. me liga quando for invadir, sim? não, mas me liga mesmo.

invadir a farmácia pra tomar um diazepam cês não querem não, né? só checando.
daí perguntam por que eu saio de casa para participar desse tipo de coisa. é porque se não vou a mulher se ofende e me manda emails reclamativos. é muito sério isso. eu não saio por aí perguntando, porque prefiro evitar a interação, mas tenho a impressão de que ninguém mais passa por esse tipo de coisa. professor interrompendo a aula pra dizer que eu estou sumida. professor dizendo que me viu indo embora antes, ou chegando depois (eu e mais 30 seres humanos, mas incrivelmente eu possuo a única cara que fica registrada nessas situações). professor mandando email pra dizer que me viu no ônibus e sabe que eu estou na faculdade, sim.

olha, é muito cansativo.
MUITO. CANSATIVO. 
independente disso já estaria sendo, MAS. as pessoas não facilitam, compreende? as pessoas não suavizam o processo. as pessoas são muito difíceis.

eu fui esse ser humano completamente terrível em minha última vida. nada mais explica.
mas então ontem eu fui apresentada a este link aqui e fiquei pirando em coisas extremamente relevantes tipo a comparação entre a largura de um óvulo e de um fio de cabelo e a dancinha da bicamada lipídica quando me deparei com ele. o mimivírus.

e ri para sempre porque oi, tenho sete anos e contaminação por mimivírus explicaria tanta coisa, hein? eu poderia seguir minha vida tranquilamente chorando em lugares públicos e quando perguntassem qual é o meu problema eu saberia responder: é só uma mimivirose, gente. nada grave, nada sério.

mas aí fui toda animada pesquisar e broxei eternamente porque, como sempre, a realidade nunca é tão divertida.

mimimi.
tem essa coisa boa em ir ficando mais velha. quer dizer. eu gostaria MUITO de acreditar que ficar mais velha traz alguma coisa de relevante além de ruga e cabelo branco. mas aí tem isso. o fato de que, dado um certo ponto, tudo vira mais do mesmo. você sabe lidar (ou não, né. no meu caso geralmente é ou não) com os acontecimentos porque já passou por eles antes. muda o elenco, fica o roteiro manjadíssimo. e dá uma tristeza do caralho compreender que não somos especiais em nenhum nível dessa bodega desarranjada e não há o que fazer quanto a isso, não dá pra mudar o final. quem foi o idiota que inventou aquele ditado de "começar de novo e fazer um novo fim"? alguém chegou a esbofetear essa pessoa? porque né, merecia muito. chegamos aqui sabendo o papel que nos foi determinado e não sei como se deu essa divisão porque se escolha houvesse eu não ia querer vir como aquela que sim, mas não. mas é o que temos. e quanto mais se tenta fugir, mais a vida vem esfregar na tua cara que você não manda nada aqui não, gatinha. você não muda o roteiro. acho que o que muda - e mesmo assim fazendo um esforço épico - é a forma como a gente aprende a lidar. na base do disfarce. fingindo que não tem mais importância, veja como sou madura! até o dia em que não importa mesmo, mas aí é porque já não sobrou nada e não há alívio. apenas a sensação de estar indo embora de mãos vazias mais uma vez.

precisa?

- amiga, tá aí?
posso compartilhar um momento de extrema falta de piroca?
(não minha, perceba. evoluí.)

- to!

- Gente,
Ontem enviei mensagem avisando que se for decretada greve não terá aula, mas decidi encontrá-los para conversar sobre o movimento, tendo ou não greve. Peço desculpas pela indecisão, mas é a primeira vez que lido com uma greve na Universidade (mal consigo dormir pensando nisso).
BITCH PLEEEEEEEEEEEEASE

- MAL CONSIGO DORMIR PENSANDO NISSO
porra
GET A LIFE

- SIM
tipo, pertinente querer levantar a questão na aula, ok
mas daí a PERDER O SONO, gente

- gente
essa pessoa é DOENTE
me senti saudável mais uma vez, obrigada mundo

- agora reflita que se na primeira greve a pessoa fica assim, imagina na primeira vez que deu o cu o dilema que foi

- HAHAHAHAHHAHAHAHAH

- Pourquoi t'as l'air triste?
- Parce que tu me parles avec des mots, et moi je te regarde avec des sentiments.

porque assim. eu sempre vou me sentir culpada. sempre. por tudo. se a gente analisar detalhadamente vai ver que é uma tendência um tanto quanto narcisista, até, porque TODA A CULPA DO UNIVERSO precisa passar pela minha pessoa em algum momento. e eu me sinto culpada por cada coisa ruim que me fazem. culpada em dobro: primeiro porque se fizeram eu mereci, e culpada por ter ficado triste. é muito agradável aqui dentro da minha cabeça, nem me falem. mas então. um dia eu considerei que talvez a culpa não fosse sempre toda minha. nem dessas pobres pessoas de coração bão que só metem no meu cu porque, coitadas, não sabem. daí eu passei a explicar. e a falar muito. pensar muito. escrever muito. me expor muito. numa tentativa meio desesperada de evitar mais porradas. pra não precisar passar por toda a merda de novo porque existe um limite pra pessoa ser assim tipo a grande lixeira do mundo. ou pelo menos deveria. mas não é exatamente isso que acontece. porque eu nunca vou conseguir explicar direito o que dói, onde, quando, por quê. eu não posso explicar isso sem trazer à tona mil coisas nas quais não posso tocar. então eu preciso que as pessoas entendam aquilo que não foi dito. aquele sutil espaço entre as palavras. quando estou ali, exposta e magoada, mas simplesmente não posso dizer o motivo. porque não funciona assim. e lá estou eu de novo me culpando por não funcionar. porque não sou fácil. porque as pessoas estavam pensando em outra coisa ou achando engraçadinho quando tava passando o ppt explicando que não é fácil. eu lá sei o que as pessoas têm na cabeça. que sei eu dessa merda toda, afinal.

but i better be quiet now
and i'm tired of wasting my breath
carrying it on, getting upset

maybe i have a problem
but that's not what i wanted to say
i prefer to say nothing
i got a long way to go
getting further away

hit me baby one more time.

vibe do dia. do ano. da vida.


afinal, quem aqui nunca teve vontade de envolver a cabeça em explosivos e acender um fósforo, não é mesmo?

(não respondam)

melhor do que a cena ela própria, só a presença de espírito do tradutor que substituiu o "pourquoi?" original por esse "what's the point?" que sintetiza a vida.

e eu amo tanto esse filme. e estava indo pro ponto de ônibus pensando naquele outro diálogo em que ferdinand diz que é um grande ponto de interrogação sobre o mediterrâneo. enquanto eu estou mais para uma pequena exclamação na bordinha do atlântico. eu sou um modesto -q/ na margem da baía de guanabara. e fui obrigada a rir porque puta que pariu, raquel. dá pra fazer uma associação mais pedante do que essa?

mas aí tinha esse veículo grande e amarelo na calçada, bem rente à parede. e chovendo, né. eu tava indo por baixo das marquises. passei então pelo espacinho entre o carro e a parede. e dois tios fizeram A MAIOR cara de aff pra mim. fiquei meio assim e pensei se não seria o caso de gritar o FOOOOODA-SE que estava guardando com tanto carinho desde as cinco e meia da tarde. virei pra trás com minha melhor cara de "you talkin' to me? you talkin' to me? who the fuck do you think you're talking to?" e aaaaah, tá. é um rabecão. 

tipo. não o instrumento, né. o carro recolhedor de mortinhos da defesa civil. apenas.
(inventei de dar um google em "rabecão" para efeito ilustrativo e meudeus, que idéia estúpida, jamais dormirei novamente.)

os tios do aff estavam tentando engavetar um mortinho e eu fui lá e passei no meio deles. o que justifica a cara de bunda, né. no mínimo pensaram que eu era, sei lá, algum tipo de necrófila maluca.

e atrapalhar recolhedor de morto tá uma coisa muito digna da minha vida. depois do susto achei quase válido.
quem nasceu pra figurante do lynch nunca chega a godard, mesmo.

três coisas:

coisa nº1

- ai, sei lá. tô meio amarga, acho.
- que nem um chocolate?
- não. tipo um jiló mesmo.

(o naipe das conversas que ando tendo. já agradeci hoje pela paciência dos que ainda restam? porque olha, difícil.)


coisa nº2
sim, amigos. sim.


coisa nº3

elliott cantando em minha cabeça madrugada adentro. a mesma musiquinha, horas e horas. depois até consegui dormir, sonhei e tudo, e a trilha sonora permaneceu.


sendo que para sempre relacionarei essa música ao quase suicídio de richie, então né? inadequado: sim ou demais?


coisa bônus





ou seja.

obrigada, lena dunham

por resumir
a
minha
vida.

- You know what the weirdest part about having a job is? You have to be there every day, even on the days you don't feel like it.
- Do you not feel like it today?
- Today's fine. I just don't know how I'll feel tomorrow.

i just don't know how i'll feel tomorrow <3

quer dizer. eu não sei nem como vou me sentir na próxima meia hora, mas né. taí a explicação de toda uma vida.

(e não tamos nem falando especificamente de emprego aqui porque oi, seguimos fazendo coisas de graça para pessoas sem graça que nem mesmo me querem ali - como se EU PREFERISSE olhar pra cara feia dos outros em vez de ficar no autismo do meu lar jogando bubble island. mas detalhes. é mais uma aflição generalizada de ficar me perguntando mas será que eu tô gostando disso? ou será que não? eu devia saber? precisa escolher agora? pode fazer à lápis? consumição eterna de uma mente sem parâmetros. sensação das mais agradáveis, hein. recomendo a todos.)
na véspera do dia das mães, 5 anos atrás, eu tava bem na merda. assim, eu já fiquei na merda várias vezes, mas essa fase foi realmente além. eu estava em petrópolis num dia particularmente desalentado, esperando uma carona que só rolaria umas seis horas depois. e tinha essa feirinha de adoção. e eu resolvi que ia lá adotar um gato macho todo preto chamado manuel.

(não perguntem, porque eu não vou ter o que responder. foi um raciocínio similar ao que tive aos 6 ou 7 anos quando ganhei 20 dinheiros numa raspadinha - lembro nem qual era a moeda na época - e troquei o prêmio no mesmo segundo pela primeira coisa que achei pertinente: um filhote de jabuti ilícito.)

bom, não tinha nenhum gato macho preto pra chamar de manuel na feira aquele dia. mas tinha essa figura aqui:


que, ironicamente, ficou sem nome por semanas e foi chamada de pelo menos quatro coisas diferentes - virgínia (por causa de ciranda de pedra), violet (brooke shields, pretty baby, amor eterno), annabel (de annabel lee) - até que optei por flora e até hoje pensam que eu super fui fã de a favorita. quer dizer. escolhi tanto pra isso.
mas ela não se importou e taí me salvando dos silêncios constrangedores em reuniões familiares desde 2007.

o bonsai foi utilizado na foto apenas para dar uma noção
do tamanho da gata -  e foi depenado uns 3 segundos depois.

quando eu cheguei perto da gaiola com um pacote cheio de bolinhas de queijo ela foi a única a levantar o focinho, super interessada naquele cheiro de coisa frita. o que interpretei como um sinal inegável de que éramos almas gêmeas. então eu liguei pra casa e disse que o presente da minha mãe seria uma gatinha com um laço vermelho na cabeça. tipo. menti descaradamente e volta e meia minha mãe ainda lembra disso e pergunta quando vou entregar o presente atrasado. o que jamais acontecerá, lógico. porque a flora provavelmente comeria o laço. E a minha mãe.
daí que quinta-feira eu tinha um artigo para apresentar. pessoas deixaram de almoçar (ou levaram seus potes de salada de macarrão) para ir lá me ver. e eu não apareci. porque peguei o ônibus errado.

tipo. eu faltei ao meu próprio seminário porque o ponto de ônibus estava cheio e eu vi meu ônibus em algum lugar e me confundi toda porque estava tendo um dia meiassim aí rolou um momento porta dos desesperados e eu entrei no ônibus errado.

(sabe a porta dos desesperados, né? aquele quadro no programa do sérgio mallandro que persuadia as crianças a escolherem a porta errada e aí pulava um cara vestido de macaco lá de dentro? e depois ele abria a porta certa pra mostrar pra criança tudo o que ela tinha perdido? preciso fazer a analogia pobre ou todo mundo já entendeu? ok, só checando.)

a sorte (risos) é que agora sou uma pessoa trabalhada no controle de danos e em vez de sentar e chorar liguei para o laboratório, contei uma mentira plausível, remarquei a apresentação e SÓ AÍ sentei e chorei. tipo até agora. por motivos variados. mas detalhes.

durante esse período senta-e-chora não chequei meus emails. então agora à noite controlei meu pavor e fui lá ver tudo o que ignorei solenemente nos últimos dias. começando pelos meus trânsitos astrológicos porque sou essa pessoa que sabe priorizar.

e né.
A Lua atinge sua fase minguante entre os dias 10/05 e 13/05 (Amanhã), Brooke, atuando sobre a sétima casa de seu mapa astrológico, enquanto o Sol atua sobre o décimo setor. A grande contradição destes dias envolve as suas necessidades afetivas versus as suas necessidades estudantis ou profissionais.
eu poderia dizer que temos aí a grande contradição DESTA ENCARNAÇÃO INTEIRA. mas prefiro acreditar que é realmente tudo culpa da lua atuando na sétima casa e amanhã acordarei feliz, sã e equilibrada.

moral da história: não ignorem os emails de alerta do personare, amigos. ou vocês podem acabar cagados assim que nem eu. 
e ninguém aqui quer isso, tenho certeza.
eu fico aqui me segurando. cara, se você acha que isso é o auge do destempero eu fico até com um pouco de pena porque você não sabe na-da. essa aqui sou eu tentando manter um certo equilíbrio. com que objetivo, não sabemos. porque não tá me adiantando de nada.

mas enfim. só queria deixar claro que não tô muito disposta a me segurar nesse momento, não. tá? eu só quero choramingar com um cobertor, chocolate quente, essa musiquinha tocando eternamente


e, sei lá. vodka? benzodiazepínicos? uma lobotomia? não sei, ainda estou decidindo.
eu devia ter uns 10 anos e estava com a minha mãe no parque dos tecidos. enquanto vagávamos sem rumo na loja insuportavelmente cheia e quente, passamos por uma mulher e seu filho feioso, branquelo e com uma cara de nerd impagável.

minha mãe apontou furtivamente e declarou:

- tá vendo aquele menino? é seu irmão.

e continuou escolhendo cortinas.

foi dessa forma que descobri em menos de 140 caracteres que:

- meu pai ainda existia nesse planeta.
- meu pai existia nesse planeta e trepava.
- meu pai existia, trepava e fazia filhos. filhos esquisitos. não que eu mesma não fosse.

ou seja.
e ainda há quem leve pro pessoal quando sou blasée em horas inapropriadas. gente, não é como se rolasse uma escolha. são muitos anos de treinamento divino para escutar as maiores barbaridades fazendo essa cara de monalisa trabalhada no lorax.

cho-ca-da.
mandei um email contendo a expressão relógio biológico e o google, esse inteligentão, jogou mensagens subliminares nos links sugeridos.








hahahahahahahahah. google, cê tá fazendo isso TÃO ERRADO meu amg.
eu tava falando de dormir, cara. dor-mir. que não só é minha única ambição nessa fase peculiar da existência, como também é totalmente incompatível com bebês.
reflita.


(melhor do que isso só o dia que eu tava reclamando horrores e jogaram Amor na Terceira Idade no meio dos links. tipo. eu sei que tenho alzheimer e reclamo da mesma coisa 37 vezes. não me aborreça.)
eu tenho esse problema, quando preciso conviver com pessoas novas. eu sempre acho que elas vão perceber de cara que sou completamente surtada e aí rola todo um esforço para abafar a loucurinha. é cansativo, chato e me deixa com a impressão de que a doidice reprimida vai se rebelar e vir à tona toda vez que me fazem abrir a boca.

tipo isso.
teve essa reunião na sexta e eu fiquei um pouco ~aflita~ porque não conhecia ninguém e seria um grupo pequeno num clima intimista de pura descontração e vontade de fugir sem olhar para trás. mas eu não faço mais esse tipo de coisa. então cheguei num horário aceitável, sentei entre duas meninas (porque ninguém precisa ficar sabendo logo de cara que eu tenho PAVOR de sentar entre pessoas. lugar de sentar é sempre no canto, perto da porta, por favor) e fiquei quieta manjando os novos coleguinhas.

e gente.
gente.
permitam-me falar que eu sou muito normal até.

tem essas duas meninas que são completamente opostas. uma é muito bonita e sabe disso, então sua principal preocupação é ficar ali sentada apenas existindo e sendo linda. as pessoas falando e ela penteando os longos cabelos com os dedos. a outra é baixinha com um cabelo estranho e blusa azul de lycra e nail art de oncinha. assim tudo junto. ela abriu um pote cheio de comida e tipo. não é porque disseram que você pode levar o almoço que significa que você deva e taí um raciocínio que deveria ser aplicado em todos os momentos da vida mas não. então a pessoa simplesmente entra na sala de reuniões recém-inaugurada e fica ali derrubando macarrão parafuso em cima da mesa nova. e eu no meio, carregando o fardo de ser a única pessoa disposta a simular normalidade nesse mundo.

aí chegou um doutorando wagner moura feelings pra apresentar os dados dele, com toda uma pinta de macho que durou 5 segundos porque ele abriu o ppt e os resultados estavam... em comic sans. ou seja. mesmo quando a pessoa consegue acabar a biologia, a biologia vai lá e acaba com a pessoa antes.

vão ser meses muito felizes, mal posso esperar.
a terceira tentativa de virar aprendiz de professorinha foi adiada porque o seminário acabou tarde e eu precisei socializar depois (me-do!). e meu ônibus achou de bom tom não passar.

para não perder totalmente o dia fui pro largo do machado resolver coisas e pagar coisas. mas cheguei lá e tinha essa pessoa fazendo uma performance. sempre tem, sempre terá. tipo o mímico que fez uma dancinha na minha frente. mas o cara de ontem ~ia além~. ele estava maquiado, de sunga, meia arrastão, salto alto e uma placa onde se lia "nao alimente os animais" presa no tornozelo por uma correntinha. o que por si só já seria extremamente peculiar. mas além disso ele se contorcia pela rua do catete acima, rolando em direção à praça tipo aquele cara no fim do vídeo do josé mirosmar de camargo.

(se você nunca viu o vídeo de josé mirosmar de camargo nem me conte, porque ficarei decepcionadíssima e questionarei nossa amizade. apenas repare o seu erro clicando aqui.)

faltavam 15 minutos para o banco fechar. pessoa madura e responsável que sou, tomei a única atitude cabível: dei um pulinho no bob's pra comprar um milkshake e fiquei esperando o cara na esquina porque precisava saber se ele ia atravessar a rua rolando.

prioridades.

(e ele de fato rolou)
ENTÃO.

prática de ensino: tem mas acabou. maio, tá? MAIO.
não tô desesperada não. tô boua. tô e-qui-li-bra-da.

na minha primeira tentativa, cheguei na escola e tinha umas pessoas pouco dadas ao diálogo portando fuzis na entrada. ah, que coisa rica. que coisa amada. adoro fuzil? valeu pela recepção, gente. me emociono.
dei umas voltas e descobri que os tios do fuzil estavam lá porque um aluninho teve um momento menino wellington e passou pelas salas para informar que... bem... ia matar algumas pessoas.

<3

gente, não é porque o menino compartilhou um sentimento que ele vai efetivamente matar geral, né? ele só quis dizer. mas enfim. armaram o circo, com direito a equipes de reportagem dando plantão na porta da escola, doidas pra ver uma desgraça. não consegui decidir se seria mais embaraçoso levar um tiro em meu primeiro dia ou aparecer ao vivo no programa da sônia abrão, de modos que voltei para casa e essa foi minha primeira experiência como aprendiz de professorinha.

na semana seguinte não tive notícias de menino wellington. cheguei cedo, um primor de responsabilidade, apenas para descobrir que tinha ido no dia errado e tudo o que assistiria seriam 40 adolescentes desesperados fazendo prova - sem ter minhas horas descontadas, claro, afinal eu não ia fazer nada. pegaria um pouco mal dar meia volta, então fiquei lá olhando para o vazio e essa foi minha segunda experiência como aprendiz de professorinha, parabéns aos envolvidos.

mas não vou reclamar, gente! eu parei, lembram? há duas horas apenas, mas parei! tô plácida, tô otimista, mal posso esperar pra ver o que a terceira tentativa me reserva.

oremos.
eu acordei e tava chovendo. porque é isso que tem acontecido todo dia. eu acordo e tá chovendo, aí eu escolho uma roupa condizente com a chuva e me dou mal o resto do dia porque não estão liberando os estabilizadores de humor de são pedro. então eu acordei e nem levantei. fiquei na cama esperando a chuva passar e fazendo um mimimi porque sabe, eu não tô merecendo sair com a roupa errada além de todo o resto que tá errado junto.

mas achei que sofrer sem música era um pouco demais. então liguei o wmp e a primeira musiquinha que o shuffle me ofereceu foi nothing is good enough.

hahahahahahahah.

fiquei na dúvida se devia interpretar como uma mensagem motivacional, terapia de choque ou só pegadinha mesmo. ainda não sei bem, mas deixo como sugestão de trilha sonora para a semana de 3 dias mais longa que já existiu.


No, there's no one else, I find, 
To undermine or dash a hope 
Quite like you 
And you do it so casually, too 

 Cause nothing is good enough 
For people like you 
Who have to have someone take the fall 
And something to sabotage 
Determined to lose it all


então tá bom, né.
mea culpa.
parei de reclamar.
eu estou tentando não deixar as coisas mais pesadas do que elas já estão. porque houve boatos de que o reinado do masoquismo em minha vida tinha chegado ao fim (mó mentira, claro. shhhh). 

aí acontecem coisas. e eu fico aqui tentando me convencer de que olha, fofa, TODO DIA vão acontecer coisas, tá? lide com isso. mas faltei nessa aulinha em que ensinaram a ~lidar~. se pá compareci, mas não escutei uma única palavra porque tava toda trabalhada no déficit de atenção. ou talvez seja algum tipo de falha genética porque, pensando bem, ninguém nessa família lida com nada não, hein. herdei os genes maternos pra sofrer e encher os pacovás da humanidade, os genes paternos pra aloprar a porra toda e, azarada que sou, ainda vim com esse gene do constrangimento próprio & alheio - que, obviamente, é uma mutação. 

e tudo me afeta, tudo me atinge, tudo é uma pequena prévia do apocalipse. as coisas que me dizem, as coisas que não me dizem, as coisas que dizem mas puxa vida, eu queria ter ouvido de outro jeito. cada uma delas tem mil possibilidades de interpretação e a única garantia é que eu vou me machucar e quando menos esperar estarei juntando os cacos pela milésima vez, às duas e meia da tarde de uma quarta-feira, comendo macarrão gelado e me perguntando por que precisa ser tão ridiculamente difícil. e se, no final das contas, não é tudo culpa minha por ser essa pessoa tão infernal.

deve ser.
sempre é.