a metáfora pobre de hoje fica por conta da minha sobrinha que, com seus desenhos altamente psicanalíticos, elaborou essa obra prima da fisiologia humana misturada com pieguice.

(isso era todo um livro explicando os motivos pelos quais as pessoas não podem viver sem coração, compreendam)


morri! :(
(it's my party and i'll CRY A FUCKING RIVER if i want to, aviso logo)

eu não sou uma pessoa que acredita em ~vidas passadas~ porque veja bem, na maior parte do tempo mal acredito na vida presente. mas se isso realmente existe, olha, eu fiz algo MUITO ERRADO. sério. nada justifica. quer dizer. o fato de ser burra, não saber o que quero e fazer um bandimerda até ajuda mas veja bem que o que mais tem no mundo é gente com essas características e elas estão aí vivendo. eu não. eu me perco tanto, e me fodo tanto, e quebro tanto a cara que quando minha hora finalmente chega só me dá vontade de gritar um FOOODA-SE bem lindo porque eu não quero mais aquela merda. 

quando eu era uma pessoa totalmente descompensada (sim, porque agora eu sou uns 60% descompensada apenas) isso não me incomodava muito porque né? se você só faz bosta não deveria ficar muito surpreso quando sua vida reflete isso. o que me intriga é que quando eu tento fazer direito sai PIOR. vibe cecilia gimenez, só tava dando uma restauradinha, não sei como acabou assim. impressionante. a pessoa abandona uma faculdade quase terminada para começar outra jurando que estava fazendo um ótimo negócio e o que acontece? ela não se forma nunca. mais. e não é um "não se forma porque na hora da aula estava trajando roupas de festa vomitando sentada num canteiro". MERMÃO, ANTES FOSSE. SDDS CANTEIRO. porque pelo menos eu podia praticar a lendária arte da auto-avacalhação, dar uns tapas na testa e seguir a vida. agora vou dar tapa em quem? eu só quero meu diploma, brasil. não estou especificamente empolgada com meu futuro depois de formada, não faço A MAIS PUTA IDÉIA do que vou fazer da vida depois, se vai ser um mestrado ou um concurso whatever pra passar a vida carimbando papel, ou vou descobrir um talento oculto para a ginástica rítmica, ou enlouquecer e me mudar para a antártida pra matar filhotes de foca com um tacape. caguei. eu só quero. a merda. do meu. di. plo. ma. 

mas se existe a possibilidade de se fazer uma greve de mais de 100 dias, não vão fazer quando a raquel está sentada no canteiro tentando lembrar do próprio endereço para informar ao taxista. não. isso vai acontecer quando ela estiver quieta, controlada, querendo sinceramente levar sua vidinha dentro dos eixos. 
o que me surpreende nem é a falta de timing. é eu ter acreditado que dessa vez ia dar certo.

a pessoa cagada não tem o direito de ser otimista, cara.
um dia eu aprendo.
acordei tão mais ou menos, abri o tumblr, e lá estava.

 :~

eu tinha uma vida. tive e perdi.
era minha melhor amiga, e mesmo nas piores fases sempre havia um lugar para ir, um filme para ver, uma bobagem qualquer que me mantinha tranquila, íntima de mim mesma. eu era minha própria festa e ela não acabava nunca. nem quando ficava dramática. no máximo rendia alguns hematomas, uma dor de cabeça e mais histórias. 

é estranho quando você se dá conta de que não é mais a mesma. provavelmente nunca vai voltar a ser. e como isso acaba contaminando todo o resto, em algum momento.

sinto minha falta e não faço a menor ideia de onde fui parar, ou por que deixei uma pessoa tão insípida em meu lugar.
naquelas de "a culpa é minha e eu boto em quem eu quiser", eu culpo os astros. gente, eu TOTAL culpo os astros por ser babaca nesse tanto.

se eu tivesse nascido na data prevista, no fim de julho, seria leonina. e sambaria na cara de todo mundo que cogitasse imaginar que talvez fosse uma boa ideia tentar me magoar.

se eu tivesse nascido pelo menos uma horinha mais tarde, meu ascendente seria leão. e ok que eu não sambaria. mas né. uma reboladinha pelo menos eu ia dar.

por outro lado, se eu levasse mais 30 segundos entalada dentro da minha mãe, o mais provável é que eu só ficasse meio sequelada, mesmo. uma hipótese que inclusive nunca descartei completamente porque veja bem.


isso que eu já contei, né? em algum desses blogs velhos constrangedores. minha mãe entrou em trabalho de parto, ligou pra médica avisando que estava indo pro hospital e a mulher interpretou isso como um "blz me liga vamos marcar", dormiu só mais cinco minutinhos e apareceu na maternidade horas mais tarde. e eu lá atravessada. quer dizer. eu já era deixada pra depois desde o útero. excelente presságio indeed.

01 historinha:

era uma vez uma menina que se achava meio maluca porque não conseguia fazer as coisas assim do jeito que todo mundo faz. então ela foi a uma médica perguntar se aquilo tinha conserto.
a médica passou uma provinha, que a menina gabaritou. isso não era um bom sinal, mas a menina ficou feliz porque não gabaritava nada desde os tempos da escolinha da tia yvonne, que dava medalhas como recompensa pelo futuro promissor.
graças a seu bonito desempenho, a menina ganhou um diagnóstico-relâmpago de déficit de atenção e uma receita amarela para comprar ritalinas - o que é muito mais legal do que uma medalha, vamos combinar.
e a menina tomou suas ritalinas até acabarem, algumas vezes para estudar e em outras só por efeito recreativo mesmo porque achava maneiro ficar ali curtindo a vibe autista arrumando o armário de sapatos às 5 da manhã. ela continuou não-fazendo as coisas do jeito que todo mundo faz. mas pelo menos ela tava fazendo, né, não reclama.
um belo dia (ontem) a menina encontrou uma das caixas vazias, e ao jogá-la no lixo verificou que a validade havia acabado em 2011. como todas as caixas foram compradas juntas, a menina desconfia ter passado mais de um ano tomando tarja preta vencido sem perceber. o que só comprova toda a teoria do déficit de atenção, aliás. tão bom quando as coisas fazem sentido.

(RISOS!)

fim.

3 décadas de karma resumidas em um meme.

na porta do banheiro da bioquímica:


dou uma risadinha toda vez.

sou tão retardada, gente.
no início do século eu era bronzeada, tinha bochechas e acordava cedo aos domingos para entreter crianças de 2 anos num orfanato com toda a minha ginga de super nanny bêbada.


um dia eu cheguei ao terraço e havia apenas uma meia dúzia de crianças. as demais haviam sido devolvidas à ~família~, o que quer que isso significasse. mesmo aquelas que eram filhas de pessoas malucas e drogadas. mesmo as que voltavam das visitas familiares agressivas, magras e cheias de piolhos. devolvidas, da noite para o dia. duas semanas depois, fui barrada ao chegar para a visita. nunca soube quais foram as mudanças implementadas pela nova direção. mas não deviam ser muito agradáveis, ou não precisariam escondê-las.


quando encontrei essas fotos, lembrei na hora do nome de cada um deles, sem precisar olhar a legenda do álbum. eles foram a melhor parte da minha semana por muito tempo. hoje são adolescentes e possivelmente cruzam comigo na rua sem que eu os reconheça.

não sei o que foi feito deles, depois de tanto tempo. ou o que foi feito de mim.

é estranho.
desocupando o fichário do estágio antigo para dar lugar às anotações do estágio atual (reflitam aí quanto tempo demorou esse desapego, hein. tô boua.) acabei encontrando uns mimimis avulsos da mais alta inconveniência que foram para o lixo junto com o resto todo porque né? SAI DE MIM PASSADO NEGRO.

mas tinha essa folha com umas fotos de plantas coladas e uma singela anotação no rodapé que dizia

Tenho andado por aí com uma faca de açougueiro de 40cm enterrada no peito.
Ninguém reparou.
e me perguntei quando foi que me habituei tanto à faca que ela deixou de ser um incômodo para se tornar uma espécie estranha de companhia. algo que sempre esteve ali, sempre vai estar. e sequer achar isso triste - não mais do que um monte de outras coisas que também são o que são, e só me resta a coexistência polida daqueles que são íntimos, e ao mesmo tempo estranhos.

agora, na maior parte do tempo, nem eu mesma reparo mais.
a pessoa pensa, a pessoa caraminhola, a pessoa portanto NÃO DORME, a pessoa começa a ter crises alérgicas que - todos sabemos - são muito mais a manifestação do subconsciente todo cagado do que uma alergia de verdade. 

a pessoa já tomou tudo o que podia - no cu, inclusive - e nada melhorou. portanto a pessoa optou por ficar aqui escolhendo musiquinha e fingindo que não há de ser nada. negação negação negação.

o propósito era fazer o link da imagem direto com a playlist mas não vai estar sendo possível por motivos de vê bem que horas são. portanto cliquem aqui.

é que caiu um cisco no meu olho

ou: como morrer em 2 passos simples 

1. aceite uma recomendação musical da bianca (com o videozinho, sim? fundamental o videozinho.).
2. deite-se em posição fetal embaixo de uma peça da mobília à sua escolha e definhe sem pressa.


 - que vibe erradaaaaaaaaaaaaaaa
meu deeeeeeeeeeeeeus

 - ahahahah, DE NADA


 que fase, gente. que fase.
tem uma coisa que me intriga na minha família.

QUER DIZER.

tem muitas coisas que me intrigam na minha família. eu poderia falar a respeito por toda a vida, o que eu meio que já faço. mas para esse post vamos fingir que há apenas uma coisa que me intriga em minha família e essa coisa é o curioso hábito de fazer crossdressing cas criança.

exemplos:


na primeira foto, dumbo esta que vos escreve em seu aniversário de 2 anos. por alguma razão minha mãe achou oportuno que eu usasse gravata e suspensórios na comemoração. eu tenho tanta vergonha dessas fotos, gente. mas claro que não deve chegar aos pés do embaraço que meu tio possivelmente sente ao se ver de manguinhas bufantes, sapatos de pelica e algo que se assemelha a uma saia balonê mas não deve ser, certo? oremos. sem contar a legião de crianças bizarramente vestidas em fotos de 1920 - porque sim, aquilo devia ser esquisito até em 1920 - que não copiarei porque deve fazer mal para o karma rir de gente morta.

família almeida, traumatizando a descendência desde a invenção da fotografia.
como se todos os outros motivos já não fossem suficientes, né.
o ritual domingueiro de separar, guardar e lavar roupas foi interrompido por motivos de malzaê, não vou levantar daqui.


além de tudo agora chove, né?
comparecerei às reuniões dessa semana trajando pijamas, portanto. 

eu tenho plena certeza de que sou retardada

quando sento pra assistir um filme e PRECISO apertar o pause e dar print na tela ao me deparar com isso


porque não parei de rir nunca mais pensando que geeeeeente, o roteirista da minha vida só pode trabalhar na perdido productions.

eu sei.
eu sei.