a trilha sonora da noite veio por email ofertada pela shibbo (e eu só encontrei um mês depois) com um singelo "Essa Sônia Rocha parece coisa da Raquel". achei oportuno & condizente com essa semana tão bonita.


1 beijo para a adriana, que me compreendeu perfeitamente, hahahaha.

ps1: gente, não mandem mais nada para aquele link da caixa de email do capeta! ela fez um feitiço nos formulários e nunca me avisa que chegou mensagem nova. escrevam direto para o email ali no fim da página. não é correto que me enviem uma maravilha dessas e eu leve semanas para descobrir.

ps2: mais alguém lembra do silvio santos cantando isso? inventei, será? porque tem horas que eu acho que sofro de alucinações auditivas, eu escuto ou lembro nitidamente de coisas que non eczisten. e em outros momentos apenas GOSTARIA de sofrer disso porque aí as coisas inacreditáveis que me dizem seriam apenas fruto da minha imaginação ensandecida. 
mas isso não acontece, porque a realidade é infinitamente mais estranha que eu.
eu me pergunto o quanto mais consigo me ferir, mas não quero realmente saber a resposta porque essa capacidade parece ser infinita.

em vez disso, prefiro me perguntar o seguinte: agora, nesse exato momento, o que posso fazer para manter isso sob controle? e se há uma escolha, se existe essa possibilidade remota, por que é que eu sinto que não estou nem mesmo tentando?
estou cansada de nunca saber de fato o que é intolerável e o que é loucura minha. não saber se já cheguei ao limite, porque não possuo nenhum. não saber se estou fazendo um papel deplorável porque sou obcecada demais para perceber as sutilezas. estou cansada de sempre achar que deveria fazer mais, e tentar mais, e ignorar os sinais porque preciso continuar de algum jeito, porque a culpa é minha de uma forma, ou de outra, ou de todas. estou cansada e com calos nos dedos de tanto escrever feito uma demente tentando tornar as coisas mais claras. estou cansada e com olheiras do tamanho de pires porque estou doente outra vez (ou ainda). estou cansada desse coração partido me olhando com cara de bunda e perguntando se será possível que eu não consiga fazer nada para poupá-lo, nunca. estou cansada de explicar que faria isso, se soubesse como.
o eu não tenho mais estrutura de hoje (que na verdade foi de ontem) é ilustrado:



terminar apresentação de trabalho sentada no chão nas escadas do fundo do bloco pra filar a internet de um laboratório qualquer porque você está num cu de mundo tão grande que nem a 3g funciona deve poder se aplicar enquanto metáfora pobre a uns 15 contextos da minha vida, mas não vamos nem tentar. o fato é que fui lá apresentar. falei sobre trabalhos de grupo e aprendizado baseado na troca de experiências e no diálogo e essas coisas de gente que faz rodinha e fica ali redundando e dando ~pontinho de participação~ pras crianças - mesmo as que estão sendo pressionadas a interagir - como quem joga uma sardinha pro flipper depois que ele bate palminha. o que é, basicamente, a estrutura curricular da licenciatura toda. aí depois que acabei de expôr a teoria a mulher veio perguntar o que eu achava dessa abordagem e eu muito singelamente olhei pra ela e disse:

- olha, eu acho que é um inferno.

HAHAHAHAHAHA GENTE FALEI, FALEEEEI, QUE ALÍVIO.

aí no final uma galera me aplaudiu e eu fiquei em dúvida se foi um sinal de aprovação ou de pena porque depois dessa certamente serei reprovada.
em breve saberemos.
eu tenho essa sensação de não-pertencimento que parece se agravar em dias de chuva. talvez porque uma boa parte das viagens que já fiz na vida aconteceram em dias chuvosos, não sei bem. a questão é que não posso ver uma nuvem preta e já começo a questionar cada milímetro da minha vida. o que deixa dias como o de hoje especialmente trabalhosos.

eu costumava achar que quanto mais longe fosse mais longe ia querer ir, sempre, e existia algo tremendamente confortador em passar dias incomunicável andando de lá para cá com uma mochila nas costas e crostas de lama seca na barra da calça. tudo parecia tão distante, e tão relativo, e a vida de repente ficava muito ordenada quando minha única preocupação era matar aranhas ou cogitar se minha barraca sera fulminada por um raio enquanto eu dormia. e mesmo isso não parecia importante.

mas agora todos os meus dias obedecem a esquemas burocráticos desprovidos de sentido e me pergunto onde foi que tudo aquilo se escondeu. minha disposição, os sacos de dormir com insetos misteriosos dentro, as lanchonetes de beira de estrada com placas descascadas oferecendo carne de jacaré.

acho que o tempo passou rápido demais.

aaaaah, segunda-feira

- quais foram os tipos sanguíneos que vocês estudaram?
- vermelho.

*

tema: decomposição
- o que acontece depois que você enterra uma pessoa?
- ela morre.

*

- por favor, continua lendo de onde eu parei.

(criatura desanda a ler um capítulo que não tem absolutamente nada a ver com o que está sendo explicado)

- você nem sabe do que eu estou falando, né?
- ... não exatamente.

*

- o que é um colóide?
- é quando a pessoa se machuca e fica uma cicatriz feia.

*

e eu jamais conseguirei enfatizar isso o suficiente, mas o meu problema não é que os aluninhos pesem a mão no tóchico no final de semana e voltem assim. 
o que me entristece é que eles não me oferecem.

não tá fácil pra ninguém

- gente, e hj na aulinha?
"o que esses animais têm em comum?"
"5 dedos"
  
apenas. contem. cmg.
  
muito medo desse cavalo de 5 dedos

- HAHAHAHAHAHAHAHAHA
gente, e cinco dedos numa mão humana aonde?

- ahn?

- ué, gente
eles responderam que o que eles tem em comum são cinco dedos, não foi?

- sim

- tem uma mão humana ali
além da pata de cavalo, claro
ou a lógica deles é além e eu não captei?

- hahahaha, quem não tá captando sou eu
tipo, humanos têm 5 dedos

- CARALHO É MESMO
risos
desculpa, vou suspender as drogas
tá pesado

- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
morri

- desculpa, dançar com a japonesa de seis dedos quando eu era criança na festa junina me deixou assim
me senti tão drogada agora

- muita pecinha cara

- hahahahaahhaha
eu estou doente.

meu ambicioso plano das 30 horas ficou meio prejudicado por conta disso, e eu estou doente, e me despacharam para um laboratório com ar condicionado no máximo para monitorar uma prática de tipagem sanguínea sem perguntar minha opinião*, e eu estou doente, e não tinha rúcula no restaurante hoje então me decepcionei e fui ao subway e NÃO TINHA PICLES NO SUBWAY, é um complô contra a minha pessoa, portanto, e eu queria vir pra casa logo mas em vez disso fui procurar uma agência bancária que porventura estivesse funcionando na greve para descontar um cheque da monitoria que dei EM JULHO mas só me pagaram na semana passada porque não há motivo para pressa afinal somos todos milionários, não é mesmo, e sei lá, eu já mencionei que estou doente?

vou ali deitar e só levantar segunda às 5:30 da manhã para dar prosseguimento à alegria.
obrigada, voltem sempre.


*a opinião que ninguém perguntou é que eu prefiro não estar à frente dos trabalhos porque vamos supor que o aluninho chegue dizendo que tem mãe com sangue tipo A e pai com sangue AB, e descobre na frente de 40 colegas que tem sangue O, ficando você incumbida de explicar que ele é adotado e/ou filho do leiteiro? prefiro evitar esse tipo de emoção em minha vida.

fiquem agora com uma mensagem de nossos patrocinadores

(no 485, claro)


o manifesto não é meu. mas os pés que sofreram com pisão de marmanjo DANDO PITI por causa de umas míseras francesinhas, sim.

garotos, já é triste vocês terem medo de barata, quanto mais uma barata menor que as minhas unhas. por favor, controlem-se e procurem não sapatear no coletivo.


(e essas pernas mais reluzentes que o branco do vestido? tô graciosa, tô saudável, tô família cullen.)
uma infinidade de emails pra mandar, artigos pra ler, relatórios pra escrever, cds pra baixar, filmes ruins pra ver, aluninhos para me deixar com cara de -q. 

e eu aqui cismando.

acho que tá bom, né?
prática de ensino é uma coisa que me deixa assim com a impressão de estar assistindo um filme iraniano por 8 horas seguidas. na primeira vez é ok (mesmo porque são 7 da manhã e tu nem sabe ainda como chegou vestida e penteada naquele local), na segunda é meio desesperador, na terceira você só quer uma morte repleta de sofrimento para todos os envolvidos e por aí vai.

essa semana ambiciono ficar 30 horas, embora não saiba muito bem como se dará esse feitiço. todo dia faço a contabilidade das horas restantes e vou montando uma tabelinha de contagem regressiva para fins de encorajamento. a ironia é que eu esperava que setembro me trouxesse um outro tipo de contagem regressiva, MAS. se é isso que temos, é isso que faremos. 

e engole o choro que o celestamine acabou.
eu sou uma pessoa alérgica. tempos atrás, num desses blogs velhos que muito me constrangem, uma pessoa se deu o trabalho de escrever pra me chamar de hipocondríaca porque eu "estava sempre reclamando de alguma coisa diferente". e tipo. não são coisas diferentes. é A MESMA COISA desde que eu saí da maternidade usando decongex. muda de lugar, que o fator surpresa sempre proporciona uma emoção na vida da pessoa. mas é a mesma coisa. sempre. com causas não-identificadas. sempre também. o único consenso ao qual os médicos chegaram é que minhas crises alérgicas parecem ser desencadeadas por... stress. o que é quase  a mesma coisa que dizer que eu tenho alergia AO UNIVERSO. e vamos combinar que nem é mentira.

(pausa para informar que meu primeiro diagnóstico de stress veio quando eu tinha uns 7 ou 8 anos. que eu fui uma criancinha le-gal.)

daí é claro que, sendo 2012 essa coisa linda DE DEUS, as alergias mais absurdas já pipocaram em mim. e agora, por absoluta falta do que fazer pra me incomodar mais, o troço resolveu se instalar no meu olho. e coça e dói e lacrimeja e eu fico aqui com as olheiras do benicio del toro e a aparência geral do joseph merrick todas as manhãs (e tardes. e noites.). bebendo celestamine como se fosse licor. e a cerejinha do sundae: sem poder chorar. que quando eu choro parece que o revertério se multiplica.

agora vocês avaliem a situação mental periclitante da pessoa dramática que NEM CHORAR PODE. amor sem beijinho, buchecha sem claudinho, sou eu assim sem poder dar uma choradinha.

isso tá facilitando tanto a manutenção do meu equilíbrio, gente. cês não têm no-ção.
esse final de semana foi um tanto complexo em termos de manutenção da sanidade. numa situação dessas a pessoa ou bebe ou come ou sai baixando a internet inteira. como beber não tem sido uma opção (meio por convicção, meio por falta de oportunidade mesmo) e já havia dado cabo de uma travessa de pavê em 24 horas, o que restou? filmes. resolvi começar os trabalhos com último tango em paris. sendo que a noite já não estava assim muito alegre. vai entender, né. os critérios da pessoa. com meia hora de filme, eu achando tudo um saco, o arquivo encontra um erro e se recusa a continuar. foi o que bastou para que eu subitamente ficasse interessada na história e entrasse em desespero porque todos os links para baixar outra cópia estavam fora do ar. tipo quando você toma um fora de uma pessoa uó e fica meio obcecada se recusando a seguir a vida, sabe? fui eu com esse download. que só ficou pronto de novo depois das 3 da manhã, fazendo meu sábado amanhecer repleto de elegância.

aproveita e enfia uma legenda aqui tb porque eu mesma não sei o que dizer
o bom é que enquanto esperava o download fiquei lendo curiosidades sobre o filme, e descobri que a maria schneider fez uma versão de jane eyre. o que me fez ter um momento de livre e perturbadora associação de idéias envolvendo jane e rochester e a cena da manteiga. porque minha mente é legal nesse tanto.

no sábado teve jules et jim <3 <3 <3 e o wuthering heights aquele de 1939 com merle oberon me fazendo sofrer de vergonha alheia por sua interpretação rebuscadíssima que consistia em arregalar os olhos como se marlon brando tivesse passado por ali.

tira o dedo do meu cu, heathcliff.
aí depois disso tudo fui ver comer, rezar, amar porque achei que já tava bom de ser culta, hahaha. e pra lembrar que nos anos 90 queria ser julia roberts quando crescesse e vê bem o quanto não obtive sucesso?

mas o que importa é que não pensei (muita) bobagem no processo e não quis (muito) pular de lugar nenhum com uma bigorna no pescoço, tornando as últimas 48 horas bastante acima da média, portanto.
quase me orgulhei.
eu passei a adolescência inteira escrevendo. muito mais do que agora. eram cadernos e cadernos de mimimi descontrolado e considerações pedantes a respeito de nada, e outros tantos que hoje acho extremamente perturbadores e funcionavam como diários do futuro, onde eu escrevia como se fosse 10, 15 anos mais velha. 

eu não vou nem ousar entrar na análise do teor de umbiguismo de uma pessoa que escreve fanfiction de si própria porque não é o que parece. ao contrário do que seria de se esperar, minhas projeções não envolviam dinheiro, glamour, viagens, um emprego incrível, homens de tanguinha me abanando com leques de penas de pavão. não. em todas as minhas versões do futuro eu estava sempre meio (ou muito) perdida, fodida, sozinha. parecia estar sempre passando por algum tipo de transição, embora não ficasse muito claro o que havia motivado aquilo. e quando a história se desenvolvia ao ponto de se aproximar de uma solução, um desfecho, um ponto estável, eu escondia aquele caderno, comprava outro e recomeçava lá daquele início nebuloso onde tinha todas as oportunidades, e ao mesmo tempo sabia que não tinha nenhuma, porque ia parar antes de chegar ao final.

de uns tempos pra cá tenho pensado em como isso compromete toda e qualquer ilusão de segurança que eu possa desenvolver. como não é possível esperar que alguém me conheça quando eu mesma não tenho pistas. e como é estranho que desde sempre eu tivesse essa dificuldade para entender o que estou fazendo ou para onde estou indo, e ao mesmo tempo já soubesse com tanta clareza que o foco jamais seria o destino, e sim o caminho - avulso, truncado, caótico.

dos temas para a terapia que jamais farei.
no capítulo do "eu não tenho mais estrutura" de hoje, temos:

a) um seminário que estou implorando pra fazer DESDE MAIO. 
b) este singelo email:


Oi Raquel, então ainda não foi feito nada (cejura? jamais poderia estar desconfiando?), mas combinamos de nos encontrarmos domingo (eu ri), mas ainda não está nada fechado, vamos confirmar isso hoje na aula, a ideia é ler o texto que já foi dado na aula : Construtivismo, mudança conceitual e ensino de ciências: Para onde vamos? (para onde vamos? taí uma coisa que me pergunto muito.) e um outro texto que agora não sei o titulo mas esta no cronograma. (a pessoa quer se reunir com estranhos NUM DOMINGO para ler um texto que já foi lido anteriormente. não sei se cês tão acompanhando, eu merma tive dificuldades pra entender a linha de raciocínio)
Nos falamos mais tarde! beijo

eu não quero falar com essa pessoa.
eu não quero falar com essa pessoa.
por favor alguém me impeça de falar com essa pessoa porque olha, 
eu disse que todos os dias agora seriam segunda-feira.
mentira.
todo dia agora é como uma eterna quinta-feira em véspera de feriado na linha vermelha. você quer ir para casa e não pode. tem coisas para fazer, mas também não pode. você está empacada. não faz muita diferença se você é uma pessoa ótima que fez tudo certooo ou é um exu sem luz que quer mais é que todas aquelas pessoas que estão pegando a estrada alegremente morram secas porque se você não está se divertindo nessa merda ninguém deveria. nenhuma diferença. você está empacada e assim continuará por muito tempo ainda, então é melhor desencanar e tentar compreender o que o universo quer te mostrar com isso.

(aproveito para dizer que estou FALHANDO MISERAVELMENTE nesse processo, mas né. mero detalhe.)

aí que eu acabei de descobrir que além de dar aula e preparar material didático e escrever um relatório a respeito existe um outro relatório, de tom mais ~intimista~ (estaria rindo muito não fosse meu pavor) que deveria estar sendo escrito de forma contínua desde março, relatando minhas impressões. e aí não sei se vocês estão acompanhando a folhinha mas março se foi há 5 meses e tenho um total de zero linhas de impressões até o presente momento, então né, medo.


o que eu queria mesmo era ter o desprendimento de entregar uma única folha com TENHO A IMPRESSÃO DE QUE ESSA FOI A ESCOLHA MAIS EQUIVOCADA QUE JÁ FIZ em comic sans, mas sinto que isso não seria totalmente justo com as outras 43874525 escolhas equivocadas que já operei na vida. mas não tem problema. posso passar um mês in-tei-ro pensando obsessivamente nisso, já que, como anteriormente mencionado, não tenho outras coisas para me ocupar no momento.

que sorte a minha, não?

+_+

muito domingo para uma raquel só.


e então agora teremos 5 semanas de segundas-feiras.
o universo não pode ser comedido, pelo que entendi.