eu estava no ponto de ônibus, e estava chovendo, e eu estava com fome, e tinha essa senhorinha. sempre tem uma senhorinha. essa de hoje veio falar da chuva que não acaba nunca mais. e dessa coisa triste em santa maria. e finalizou dizendo que "hoje é um dia bonito, é o dia da saudade".

eu olhei bem pra cara dela e precisei fazer um esforço pra não falar que bonito é o caralho, sua vaca. que coisa escrota de se dizer. mas apenas fiz cara de cupcake e respondi

- e quando não é?

e ela fez que sim com a cabeça me olhando como se eu fosse a campeã interestadual da vibe errada.


raquel, deprimindo bem para deprimir sempre.
(escrito na biblioteca, umas duas semanas atrás, e digamos que as coisas não ficaram exatamente ~melhores~ de lá pra cá)


olha, tá foda.

eu não quero estar aqui, eu não quero estar em lugar nenhum, e nisso se resume toda a histeria da minha existência: eu PRECISO querer alguma coisa. reza a lenda que todos precisamos.

tenho minhas dúvidas.

então fico aqui pulando de idéia falida em idéia falida, querendo e desquerendo coisas pelo intervalo de um bocejo. antes de chegar ao final da lista dos prós já estou escrevendo os contras e faço isso tão no automático que já virou o procedimento padrão. tenho brigado tanto comigo mesma que sei lá, acho que vamos ter de parar de nos falar por uns tempos porque tá complicado, muito ruído nessa comunicação. a bagunça externa refletindo a interna, pilhas de livros, de tralhas, coisas que transporto daqui para lá sem nenhuma lógica. arrumo e desarrumo. implemento métodos revolucionários de organização e dois dias depois estou puta por ter que fazer aquilo - como se alguém estivesse me obrigando. maluca. maluca pra caralho. olho para meus papéis lindamente separados por contextos e cores e prioridades e sinto uma vontade selvagem de tacar fogo em tudo e ir para a praia vender colar de semente. mas em duas semanas teria vontade de tacar fogo nas sementes, também. e nos turistas. e nos outros hippies (PRINCIPALMENTE). então fico aqui quietinha porque

CLICHÊ!

é comigo, né? o problema. só pode ser.

mas gente.

quer dizer que fora do twitter não se faz assim?
que coisa.
isso explica todas as pessoas que me detestam porque fui ali comprar jujubas e nunca mais.



(dormir, eu só preciso dormir. e pensar menos.)
minha única vontade nessa temporada é de tipo sentar num canto e morrer, mas acho que até isso eu conseguiria fazer de algum jeito ~peculiar~, então melhor não.

estou me sentindo tão idiota, mas provavelmente é pelos motivos errados.
porque errar é comigo mesmo, como todos sabemos.

dia 1


curiouser and curiouser!, já diria nossa amiga alice.
fiquei aqui procurando alguma coisa bonita e inspiradora e motivacional pra grudar nesse post, mas tudo o que tenho vontade de dizer é que além de passar a semana sendo monitora (que é a minha função), sendo secretária (que pensam ser minha função) e quebrando galhos variados pra deus e todo o mundo (isso deve ser porque tenho cara de idiota, mesmo), eu também carreguei caixas. e caixas e caixas. quilos de papel e tralhas subindo e descendo escadas no sol. carreguei uma porra de um carrinho de rolimã, cara. enquanto os 3 homens da equipe tomavam toddynho no ar condicionado. se foder todo mundo. aí chega a sexta-feira e só consigo me arrepender por não ter carregado O DOBRO do peso. porque agora poderia estar na cama desmaiada, e não aqui pensando.

irônico. como todo o resto.
outro dia eu peguei um punhado de comida de passarinho pra jogar por cima das cascas no potinho da periquita, porque estava atrasada e não dava tempo de arrumar direito. e depois que saí fiquei com aquela sensação de "fiz ou não fiz?" mas ignorei, porque tenho essas nóias o tempo todo, nível velhinho com alzheimer que vai ao banheiro 17 vezes em uma hora porque esquece que foi.

outro dia também fui lavar um prato e notei que a pia da área estava meio entupida, mas já que só tenho comido coisas que vêm em embalagens de plástico e bebo direto das garrafas para evitar a fadiga de lavar os copos, não dei muita importância.


mas agora de manhã eu fui ali fora e ~tudo fez sentido~.

TAH DAAAAAH!

alguém me interdita, por gentileza.

a triste história da menina que só queria um diploma

funciona assim: para me formar, eu preciso dar 01 aula para a coordenadora da regência e a mulher das didáticas. e os aluninhos, claro.

não está rolando. eu nem mesmo sei a razão. eu vou voltar para a bancada na segunda-feira com um punhado de adolescentes hiperativos me pedindo coisas impossíveis e isso não está me causando 1/10 do transtorno. porque isso é opcional. a regência não é. eu TENHO QUE. existe uma região no meu cérebro que simplesmente implode quando eu TENHO QUE. estou certa de que é algum tipo de problema mental muito grave, tamanho é o pânico. a aversão. eu sofro e enrolo e sofro mais e dou voltas. e subverto as regras. e dou um jeito qualquer de fazer da minha maneira, mesmo que mais ninguém perceba. mesmo que ~minha maneira~ seja mais trabalhosa. se há um esquema pré-concebido eu já quero fugir dele. não preciso nem saber do que se trata. a simples existência de um esquema, de um roteiro que não foi determinado por mim, já me coloca em desespero.

não há a menor possibilidade de fugir do esquema agora.

ver também: pânico
ver também: ansiedade
ver também: noites em claro

na primeira semana do semestre recebi uma folha com os temas que poderia escolher. evidentemente quis um tema que não estava na folha. mas não pode. aflição. urticárias. arquitetei todo um plano. semanas fazendo cara de cupcake pros outros professores até convencê-los a me deixar fazer a regência nas turmas deles. eles concordaram. mas não pode. TEM QUE ser na turma tal. angústia. sofrimento. andando pra todo lado com o papelzinho e me recusando.

- mas o que você queria, afinal?
- sei lá, dar a matéria do terceiro ano.
- não, olha, dá citologia. olha quantas possibilidades tem aqui.
- citologia nããããão.
- ...
- ninguém merece citologia.
- ...
- sério mesmo, é muita maldade com os alunos. se o objetivo é torturar eu tranco a porta, desligo o ar condicionado e passo a tarde lendo o agapinho pra eles. é mais digno.
- ...

eu falei isso numa reunião. com a coordenadora. que prende o crachá no peito com um button de nossa senhora. 
acabei sendo escalada para uma aula sobre citoplasma. e é esperado que eu faça uma dinâmica. sobre citoplasma. sabe? a geleca que tem dentro da célula. o que tem pra dinamizar nisso, meu deus? a única coisa que me ocorre é fazer uma luta no gel coletiva. mas não pode.


ou seja. não há realmente a menor condição.
3 da manhã, a vida toda desandada, não consegui pensar em nada melhor pra fazer - tipo dormir e acordar na hora certa, né, quem sabe - do que assistir the perks of being a wallflower e morrer 37 vezes.


menino charlie pegou meu coraçãozinho já meio partido e passou no processador.

apenas.
está tudo parecendo tão torto, tão errado, tão cagado, e toda vez que eu penso que estou fazendo algo pra melhorar descubro que na verdade estou piorando. então desisto e acabo ficando bem quieta aqui sentada esperando passar, fazendo cara de about:blank tal e qual a vaca com amnésia alcoólica do layout do finado blog.

OPS.
só que nunca passa, né.


eu olho o destrambelhamento mas não entendo, e é meio como se não reconhecesse as coisas. essa semana olhei meu peixe e fiquei lá toda meditativa, mas gente, esse bicho é dessa cor mesmo? sempre foi e não percebi? será a luz?

ele respondeu morrendo algumas horas depois.

achei eloquente.
achei metáfora pobre.

fiquei me perguntando por que não sou capaz de perceber que as coisas estão mudando de cor antes de ser tarde demais. antes que elas morram. por que não consigo evitar, não consigo sequer descobrir se poderia, se deveria.


eu estou um saco.
ando com muita vontade de ficar quieta e muita vontade de falar sozinha, assim tudo ao mesmo tempo.

ando bem fora da casinha também.

mas até aí, nenhuma novidade.

como fazer uma pesquisa (se você for eu)

google: planos de aula biologia ensino médio
site da nova escola, ou escola nova: planos de aula

simples, né?
rs.
parece fá-cil, mas é difí-cil.

site da nova escola ou vice versa: artigo sobre bullying
google: bullying, violência escolar e temas relacionados
g1: artigo sobre uma escola que tem classes especiais para crianças ciganas
wikipedia: ciganos
wikipedia: porajmos
wikipedia: qual o lugar dos ciganos no mundo moderno?
google: notícias randômicas envolvendo ciganos
g1: cigano matou não sei quem com uma foice
g1: notícias recentes - chuva no rio de janeiro
g1: zeca pagodinho ajudando vítimas da chuva
g1: ~celebridades~ gabi amarantos sendo irrelevante na chuva (e elogiando zeca pagodinho)
g1: ~celebridades~ vovó naná sendo irrelevante na praia (e constrangendo a todos nós)
g1: ~celebridades~ vovó naná dizendo que priscila era mei vagaba mas tá melhorzinha agora que pariu, até consideraria ser amiga dela
google: procura por qualquer indício de que priscila GOSTARIA de ser amiga de vovó naná
ego: fotos do filho da priscila
ego: notícias randômicas envolvendo ex-bbbs
rsfd: elenco do novo bbb

coma.

morte.
oi, eu sou uma piada tão interna que só eu mesma me entendo.
esse ano eu devo ter desejado feliz ano novo para, no máximo, umas 3 pessoas. e só porque elas me desejaram primeiro e ainda me resta um mínimo de bom senso, né, eu não ia ficar ali filosofando com elas que é só um númerzzzz. 
não é que tenha sido um ano ruim. é só que ele está tão longe de acabar, pra mim, que o máximo que consigo desejar às pessoas é uma feliz agenda nova, porque de resto tudo continua igual. talvez em agosto eu saia por aí correndo com uma garrafa de espumante rosa gritando ACABOOOU à la galvão bueno, mas por enquanto o que temos é mais do mesmo.

queria agradecer a 2012, no entanto, por não ter me enlouquecido muito. mesmo com todas as oportunidades de fazê-lo. 
e à dra nicole, por não regular a mixaria da receita amarela, porque se nem ritalina eu pudesse tomar nesse momento crítico a coisa realmente ficaria feia.
aos aluninhos que falam as coisas mais descabidas nos momentos mais impensados, me impedindo de dormir nas intermináveis horas de prática de ensino.
ao ccbb, por finalmente ter concluído a reforma da biblioteca.
agradeço à minha ansiedade por não me deixar dormir, porque otimiza muito o meu dia levantar para escrever post its para mim mesma às 4 da manhã. agradeço também ao inventor do dormonid, sem o qual eu teria levantado para escrever post its às 2 e às 3 também.
agradeço ao flight aware por atualizar adequadamente o aviãozinho na tela sem que eu precise afundar o f5 enquanto checo o funcionamento do roteador. e ao astrid tasks por me avisar o que preciso fazer.
agradeço ao pibex por me pagar quando dá na veneta.
agradeço todos os emails fofos que respondo com sutis atrasos de 3 semanas.
e agradeço por uma outra coisa aí, embora não saiba ao certo se devo creditá-la a 2012 ou à minha absoluta falta de compostura por fornecer meu email a pessoas que não haviam exatamente perguntado por ele. hahahahha. ;)

feliz agenda nova, crianças. :*


(se você não entendeu a imagem acima, você provavelmente não sabe quem é el pequeño edgar, ou catalina creel.
você não assistiu cuna de lobos.
você é uma pessoa muito muito triste.)
então, já pode começar a cantar so this is the new year and i don't feel any different?

porque veja bem.

estou em casa assistindo uma maratona de friends (tem umas 5 horas já) por motivos de não ter encontrado uma celebração de fim de ano que se adequasse às minhas necessidades. ser a única desemparelhada no meio de um monte de casais realmente estava além das minhas forças. e nem mesmo estou trabalhando com álcool no momento, o que é muito cansativo porque as pessoas querem entenderrrr os motivos e minha única vontade é responder "se eu beber vou fazer a regan macneil aqui, vai encarar?".

- ah, raquel, que exagero! por acaso você vomita verde enquanto sua cabeça gira 360 graus? você desce escadas de quatro e de cabeça pra baixo? 

- olha,

mas aí você pensa que nessa vida desprovida de bons drink eu parei de me contranger. digo apenas que ontem prendi a roupa na roleta do ônibus na hora de descer, mostrando minha bunda celulítica para todos os passageiros que devem estar com essa imagem gravada em suas retinas tão fatigadas até agora. isso depois de passar a viagem inteira aos prantos atraindo olhares compassivos enquanto escutava lana del rey e comia bananada. 

birita pra quê, minha gente.