e agora minha vida se resume a perseguir a coordenadora.

coitada.

quando ela entrou na sala hoje eu já estava lá sentada esperando calmamente. é uma das coisas que você pode fazer quando sua vida desanda e não há um plano b: esperar calmamente. talvez sob efeito de psicotrópicos, mas calmamente, isso que importa.

- que cara é essa? é choro isso?
- é alergia.
- ah bom. não chore. prova esse negócio, a gente não dá nada pelo potinho mas olha que coisa maravilhosa. - abriu um pote de iogurte grego, encheu uma colher, enfiou na minha boca e continuou comendo - pra que chorar se a gente pode encher o cu de iogurte, não é verdade?

(amo/sou pessoas que usam a expressão encher o cu de alguma coisa)

- tu quer me contar tua história triste?
- gente, pior que não? hoje só quero um requerimento.

ela engatou uns papos muito avulsos sobre budismo, reencarnação, assinou o papel que eu precisava e me despachou singelamente.

- agora eu quero ficar uns dias sem te ver, tá?
- se eu for reprovada venho aqui amanhã de novo pra narrar em tempo real.
- não não, vamos tentar métodos alternativos, me mande um email.
- POSSO? você vai responder?

risos.

- olha, você tá rindo mas tem a sorte de poder me mandar embora. já pensou nas pessoas que NÃO PODEM ESCOLHER se querem ou não me aturar durante esses dias?
- porra, puta que pariu, quero nem imaginar.


eu <3 sinceridade.

minha vontade é mandar um email só pra perguntar "mas hein, a senhora não quer me adotar?".
eu vou continuar falando da mesma coisa, ok, gente? quem estiver incomodado pode fazer uma prece no conforto de sua residência pela resolução desse impasse porque olha, não quero gerar pânico mas essa situação pode se arrastar indefinidamente por uns 6 meses.

ALGUÉM AQUI QUER ISSO?
então vamos começar a vibrar na frequência correta porque tá foda.

porque eu estou aqui focada na tarefa de não surtar só por hoje, assistindo a premiação da anne hathaway e festejando com o povo de genovia, e chega um email.
daí eu abro.
(por que eu ainda abro? jamais saberemos.)

e estão as mocinhas do grupo de prática de ensino dividindo os tópicos do relatório. e a minha parte, amigos, a minha parte é simplesmente

- A relação com o(a) professor(a) regente na orientação do estágio
- A relação com a professora de Prática na supervisão do estágio


apenas que:


MERMÃÃÃÃÃÃÃÃÃO.


essas putas estão fumando crack?
is this real life?

posso escrever que a relação com essas senhoras foi como ser empalada repetidamente por um vergalhão incandescente coberto de vidro moído? e entregar isso impresso num papel cagado?

será possível que ninguém além de mim se constranja e pense um "putz, melhor não, hein"?

que vida é essa?
Two roads diverged in a wood, and I,
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.



como se faz para assistir grey gardens e não passar o resto da vida atormentada achando que acabarei daquele jeito?

o horror, o horror.

jamais dormirei hoje.

sabe, pode parecer que eu me acho meio mártir, tipo ~perseguida pela vida~, mas não. eu sei traçar uma linha exata entre causa e consequência pra cada vez que alguma coisa desanda, e claro, a culpa sempre é minha. 

a vida é minha, afinal de contas. a culpa seria de quem? mesmo que tenham me feito algo, pelo menos em 98% das vezes eu poderia

a) me esquivar
b) enfrentar e falar ALÔ, CHEGA DESSA MERDA
c) ignorar enquanto jogo casualmente o cabelo pro lado em toda a minha superioridade emocional

não ter escolha, realmente não ter escolha alguma, é muito raro.
mas eu prefiro agir como uma completa demente e dar murro em ponta de faca, e aí o que acontece? eu perco. eu perco toda vez, e na próxima rodada lá estou eu jogando igualzinho, num desafio inútil.

até acredito que algumas pessoas possam fazer o que der na veneta sem sofrer muito as consequências, mas pra isso elas precisam ter tudo sob controle e ser minimamente bem relacionadas. porque se você quer agir como uma lunática sem ter um plano b e além de tudo sendo sociopata, malzaê, minha filha, mas você vai tomar muito nesse cu. e quando as coisas saírem dos trilhos (e elas VÃO sair) não haverá uma alma que se importe em interceder a seu favor.

é muito deprimente SABER que eu poderia ter sido mais legal comigo mesma, poderia ter cuidado melhor de mim, e não o fiz. e que a falta de preocupação alheia é apenas um reflexo da minha própria, afinal se eu não me importo, por que alguém deveria? como posso esperar que alguém tenha cuidado comigo quando eu mesma não tenho nenhum?

muito tenso tudo isso.

minuto a minuto do desmantelamento da minha vida

segundo a balança da farmácia na esquina, perdi um quilo e uns quebrados.

não lembro quando foi a última vez que fiz uma refeição digna e tenho consumido pastilhas de antiácido como se fossem jujubas. 

meu olho voltou a coçar, porque quem é que tem estrutura emocional pra ir tomar vacininha nessa altura dos acontecimentos? a única vacina que cogito tomar é uma anti-rábica, porque está faltando pouco pra começar a morder as pessoas.

sinto sono o tempo todo, uma espécie de leseira que permanece independente de quantas horas tenha dormido. cochilo em qualquer oportunidade. ontem dormi num banco no jardim da geologia e fui acordada pelo lek da jardinagem que queria "passar com a mangueira". fiquei um tempão em about:blank olhando pra cara dele e pensando "do que ele está falando? será um trocadilho?" e o garoto putíssimo porque queria acabar de molhar as plantas pra ir embora e eu estava empatando.

comecei um diário no início do mês mas desisti quando notei que escrevia todo dia a mesma coisa. foi pro lixo.

preciso descobrir o que farei a seguir mas só sinto vontade de abanar assim a mãozinha e falar "entendam-se com meus advogados", pena que não tenho advogados e queria mesmo era abanar a mão NA CARA DAQUELAS SAFADAS, mas não posso, muito chato isso.

e por enquanto é só, pessoal.

se me acontecer alguma reviravolta digna de nota do tipo encontrar jesus ou ser presa, venho aqui atualizar vocês.

só que NEM ISSO, né?
mais ou menos nessa época, no ano retrasado, eu estava com o coração partido de tantas formas e por tantas pessoas diferentes que não sabia nem por onde começar a consertar o estrago. eu estava sozinha. talvez mais do que agora, mas é difícil mensurar porque sempre me sinto sozinha, de uma forma ou de outra. eu havia perdido da maneira mais inesperada e estúpida uma pessoa que não devia ter morrido naquela hora, daquela forma. eu havia abandonado a única linha de pesquisa da qual já gostei, e tudo o que vinha com ela - minha rotina, minhas viagens, meus planos. eu sabia que em algum momento precisaria tomar uma decisão que não queria,  e consumi muito tempo, saúde e energia até conseguir admitir isso para mim mesma.


eu não lembro como fiz para sair disso. mas o fato é que devo ter feito alguma coisa, porque a vida continuou. então eu sei que vou fazer de novo. vou pegar essa grande bagunça e dar meu jeito. não queria, porque estou cansada. não queria, porque pela primeira vez em muito tempo pensei que estivesse segura, pensei ter encontrado um lugar onde pudesse me sentir acolhida e relaxar por um tempo. não queria. mas vou. porque é isso que eu faço toda vez, já que nunca me é dada a escolha de permanecer na vida que pensei que fosse minha. então eu vou lá e começo uma nova. sem muito propósito, só porque sim. porque é a opção que resta. que bom que ainda resta uma.


e isso é o máximo de consolo que vou receber de qualquer pessoa, inclusive eu mesma.

sejamos motivacionais, no entanto


a palavra que me vinha à mente ontem era desamparo

mas é só porque acho que ainda não inventaram um termo para designar essa sensação maluca de luto por sentir que perdi, que me tomaram algo que, pra princípio de conversa, não podia ser tomado de mim porque nem meu era, se a gente parar pra pensar bem

haha, que merda, me senti o carpinejar depois dessa, parei

mas você SÓ PODE estar brincando comigo

Pensando em um dos nossos primeiros encontros de prática de ensino em que eu pedi para cada um levar um objeto relacionado ao seu período escolar, quero pedir agora que tragam, no dia 27, um objeto que tenha alguma relação com o estágio. Pode ser um caderno, uma caneta, uma peça de roupa, um bilhete ou qualquer outra coisa que traga lembranças desse período. Sejam criativos!  

 -MERMÃO
COMO EU ODEIO ESSA MULHER?
  
- LEVAREI MINHA CARA DE CU

- vou levar uma piroca de borracha
xxxxxl

- merece uma pirocada africana

- vou levar um vidro de rivotril vazio

- sim!
dá vontade de mandar uma dessa, gente

- ai gente
ela faz muita questão da minha presença no dia 27, será?
nem responda

- hahahaha
manda um vibrador te representando

- vou levar um gravador tocando TENTE OUTRA VEZ

- ahahahahahahahahaha
gente, dá muita vontade de fazer uma piada, é irresistível

- vou com um casaco largo, preto, sentar no fundo da sala e apenas olhar para ela

- HAHAHAHAHAHAHA
meu sonho
  
- vou levar o aluninho que tava ameaçando matar todos no dia em que fui lá pela primeira vez
e nós cantaremos we accept you one of us
  
- HAHAHAHAHAHAHAAAHAHA
gente, isso precisava acontecer em alguma dimensão
pra pelo menos em algo nível ter valido a pena

- porra, né?
para situá-los no meu estado mental gostaria de compartilhar, antes de mais nada, que estou escrevendo isso deitada no meu edredon com a mesma calça que voltou sentada no chão do vagão do metrô. um beijo, anticorpos.


mas então. 

sabe quando dá uma merda muito gigante na sua vida e você olha e fala "gente, eu não sei como isso aconteceu"?

eu invejo muito essas pessoas. porque eu sempre sei. aí vocês vão rir, né. porque se eu sei, como é que consigo cagar tanto na minha própria vida?

esse é o mistério de toda uma existência, né, pessoal.

eu sabia com uma certeza cristalina que tudo iria afundar hoje. era algo que ia muito além de emails malcriados, divergências ou problemas pessoais. era tudo. era o lento desfecho de todas as coisas. eram as falhas de meses atrás voltando. era tudo, e era hoje.

eu não posso dizer que estou frustrada, ou que estou com raiva. hoje eu chorei na frente de uma pessoa para quem sempre procurei aparentar tranquilidade e ela disse que sabia como eu estava me sentindo. e eu senti um impulso engraçado de explicar que ela estava enganada, mas tive bom senso porque né, seis e meia da tarde. então vim embora sem dizer que muito daquele choro era de alívio. obviamente não era um alívio feliz. era mais como a sensação de ver uma pessoa querida morrer depois de sofrer por meses. mas sabe? pelo menos não há mais nada para esperar. acabou a expectativa. passou. eu me senti livre. completamente fodida e sem nenhuma pista do que farei da vida agora, mas livre. eu não preciso mais ter medo do pior acontecer, ele já aconteceu, estava acontecendo.


então não, não foi dessa vez que eu virei professorinha.
e não, eu ainda não tenho nenhum plano mais complexo do que um banho, um prato de comida e um filme.

queria piscar meus olhinhos à la blanche dubois pra todo mundo que, sem nunca ter me visto, se preocupou em dizer uma palavrinha qualquer pra me acalmar.
e deixar meu muito obrigada para cada pessoa que, de uma forma ou de outra, contribuiu para que o dia de hoje fosse o mais horrível da minha vida. de verdade. talvez não surtisse efeito se não fosse assim.


agora posso compartilhar uma coisa meio engraçada sem sofrer julgamentos morais?

tá bom que não é engraçada-engraçada, né. tá mais para o meu jeito de ser engraçada. aquele que faz minha mãe franzir a testa e perguntar se sou retardada nos almoços de família.

mas que seja.

eu estou meio sara goldfarb essa semana. porque não havia meios de chegar ao fim do processo sem uma ajudinha, e taí a novartis que nunca me desampara. e durante a tarde eu tava experimentando alguma descarga muito estranha de serotonina de modos que quando recebi o email me gongando tive um momento vou refazer essa aula toda e chegar amanhã divando à la julia roberts quando é expulsa da loja gritando BIG MISTAKE! BIG! HUGE! balançando minhas sacolas de compras meus slides.

o que realmente aconteceu? 
eu bebi meio litro de coca cola por cima de toda a sara-goldfarbização prévia e agora não vou dormir. nunca. mais.

\o/

(mas sim, refiz a aula toda antes de constatar isso)

(estou triste, vai, me dêem um desconto)

(eu total devia sossegar e deitar agora, né)

(ok)


eu queria escrever um post engraçadinho sobre como os dias finais da preparação dessa regência foderam com cada fiapo de sanidade que me restava, e fazer piada com o fato de que não saio de casa desde a quinta-feira ANTES DO CARNAVAL trabalhando que nem uma louca para receber HOJE no meio da tarde um email que dizia singelamente: o seu retorno foi muito lento e chegamos à véspera da regência sem um planejamento fechado. que pena. 

e eu queria poder rir disso tudo como uma experiência válida. mas sabe. não tem nada de válido em ser escrotizada, em ser pisada a troco de nada. talvez até haja, em contextos bem específicos, mas não dessa forma, não nesse momento. e não comigo, porque veja bem. eu não consigo aprender mais nada com a falta de empatia alheia. saturou. não há nada que eu nunca tenha visto nesse departamento, nada que ainda possa aprender. eu queria poder aprender com um pouco de ternura, só pra variar. um pouco de segurança. mas em dias como hoje, em que o chão é roubado dos meus pés de formas tão variadas e desnecessárias que beiram o absurdo, eu não sei. eu apenas não sei.

mais uma vez. e mais outra.

um copo não transborda por causa de uma gota.
ele transborda porque as pessoas não entendem a diferença entre um copo e O GRANDE PENICO DO UNIVERSO, despejando tanta merda ali que o desfecho será inevitável já estava cheio.


eis aí a síntese do meu nervous breakdown filosófico e delicinha de domingo.
vou ali rapidinho comprar um guaravita e na volta explico, tá?

beijinhos zen para todos.
eu acho assim que quando a gente faz uma coisa extremamente cretina bem podia se tocar na hora, né? e não depois.

resolveria na base duns 98% dos problemas que arrumo para mim mesma.
- cara
tô procurando por templos budistas
VAMO?

- ai, sério?

- quero FAZER RETIROS

- HAHAHAHA
será, gente?
já pensei nisso algumas vezes

- gente, eu acho que é uma possibilidade, hein
não os retiros, pq são tipo nível intermediário pra gente não ficar lá ~atrapalhando~
mas as palestrinhas e coisetal
eu quero :~

- a gente pode se informar e ir em uma palestra pra ver qual é

- sim
até vi uns espaços em que vc chega e senta lá e fica respirando, MAS NÉ
quero as aulinhas de controle da minha cabeça antes, obg

- não, eu quero ouvir coisas
exatamente
um direcionamento
porque se eu sentar pra meditar acabarei acendendo um cigarro rs

- hahaha, total
vou jogar bubble shooter

- <3

(...)

- mas então
quer aprender a meditar quinta ou domingo?

- domingo que é dia de sofrer

- já perdemos a "aprenda a exercer o seu livre arbírio", ó

- po, devia ter ido, hein
qual a proxima?

- Como obter uma mente mais clara – Clareza da mente
muitos risos

- É ESSE
olha, nada é por acaso
vamos nessa porra
nem que seja pra rir no burguer king depois

you know i dreamed about you
for twenty-nine years before i saw you
you know i dreamed about you 
i missed you for 
for twenty-nine years

:~
mas aí que eu não dormi até o presente momento. tipo, deitei às 4, desisti umas 7 e nada perceptível ocorreu nesse intervalo.

(tapei meu bom senso com um post it em 1982 e nunca mais na vida, né)

achei que seria um bom momento para assistir anna karenina e gente, geeeente, eu sei que não estou ofertando um olhar muito bondoso para o universo nos últimos dias, mas sério. como conseguiram deixar todo mundo tão ABSURDAMENTE FEIO nesse filme? como keira virou tipo a gêmea perdida de helena bonham carter? quem achou que aquele bigodinho pringles ia ornar com matthew macfadyen?

e o jude law? jesus maria josé, O QUE FIZERAM COM VOCÊ, JUDE?


sofrido, hein. em infinitos níveis.

mas fui até o fim, porque jamais consegui ler esse livro e me sentia assim muito ignorante por não saber direito até hoje como era a história, tamanho o meu pavor. porque eu lutei com esse livro, gente. eu perseverei. eu tinha ali uns 13 anos e ganhei uma edição tão bonita de presente - porque na cabeça da minha família deve ser assim que pessoas de 13 anos se divertem, né, lendo tolstói - e eu lia e lia e liiia e não saía nunca da parte em que a kitty está patinando. isso deve ser lá pela página 15. ou não, que sei eu, se pá é no prefácio. nada mais me lembro. eu não conseguia decorar quem era quem, todos os personagens pareciam ter uns 5 nomes mais um apelidinho. e eu fiquei nessa desolação até que veio uma visita em casa, viu o livro de bobeira e levou pra ler. assim, bem fofamente, sem pedir. 

eu reclamei, claro, que eu tinha que fazer minha parte. mas vocês não calculam O ALÍVIO.

o livro retornou muitos meses mais tarde, meio mastigado por um cachorro. mas nessas alturas ninguém lembrava mais dele e eu por minha parte fingi que tinha esquecido também.

mas tá tudo bem agora e até fiquei com vontade de assistir as outras versões. 

porque ninguém respondeu meus emails até agora, tá?
e o controle de danos saiu pra comprar um guaravita e não deu mais notícias.

preciso confessar

que não fiz porra nenhuma hoje.

estou aqui esperando que duas pessoas me respondam um email. ou pelo menos uma, sei lá. uma tava de bom tamanho. e não sei bem há quanto tempo estou nessa, porque o reloginho do desktop está coberto por um post it desde sábado. intencionalmente, digo. prefiro não ter meios de contabilizar minha procrastinação, entendem? só coloco um timer para dar alguma disciplina ao processo, tipo parô de arrumar pretextinho, tu vai ficar quieta aí lendo essa merda por 45 minutos. senta! senta agora!

bem doida, nem me digam.

mas o fato é que estou esperando desde que acordei e segundo fontes confiáveis já é o momento de dormir de novo, então né? calculo que já deva fazer algumas horas que estou nessa situação.

curioso que no processo de sentar e esperar fiquei aqui arrumando as coisas em pastinhas e encontrei um monte de emails que arquivei como respondidos, porém não. o que é karma, não é mesmo?

vou dar um jeito nisso assim que a nuvem preta passar, viu, gente. até lá, por favor sejam todos lindos e não me roguem nenhuma praga.

porque, acreditem em mim, não precisa.

eu amo muito a internet. sério mesmo. você está ali desavisadamente procurando gifs de gatos e se depara com algo que não conseguiria verbalizar nem mesmo depois de umas três encarnações de análise. e é tão simples e óbvio que não há nem o que argumentar.

one of us! one of us! gooble gobble, gooble gobble!

mas aí passado esse momento de autoconhecimento deprê a pessoa se sente reconfortada porque agora pode tranquilamente poupar os tostões da terapia para coisas que de fato importam nessa vida: post its com formato de coelho.
tava aqui mexendo no celular para evitar as preocupações verdadeiras, e apaguei um monte de aplicativo roubador de tempo*. incluindo o hootsuite. ando com um pouco de abuso de twitter e essas tralhas todas. porque sabe. quem foi que disse que a gente é tão legal que precisa ficar opinando sobre tudo, o tempo todo? por que não guardar minhas irrelevâncias aqui comigo só um pouquinho?

nos últimos tempos tenho escrito um monte em umas folhas velhas de rascunho. tipo, escrevo e no dia seguinte já vai tudo pro lixo, às vezes nem releio. é muito revigorante!

então desencanei de twitter. e ao mesmo tempo andei me apegando ao instagram, porque descobri que aquelas fotos tudo quadradinha ornam muito com meu toc. e a vida já anda tão tensa, gente, me deixa aqui tirando foto de gato e dando coraçãozinho pras pessoas. é meio que um passo pra frente e dois pra trás, eu sei. mas pegue leve comigo, vá. tá chato existir. tá realmente muito chato pra caralho como nunca antes e perceba que vindo de mim isso provavelmente significa MUITA COISA.


* o bubble shooter e o jewels star continuam, porque né. é pra desapegar, não pra torturar.
analisando friamente minha situação, é de fato muito triste que ATÉ O PAPA já gritou um chega dessa merda!, e eu não. a periclitância está num nível de passar 3 dias assistindo peau d'âne aos pedacinhos porque não consegui relaxar por 1:30h.

mas gente, melhor filminho?

primeiro que é musical, segundo que as músicas são IRRITANTES, terceiro que o rei tem um trono em forma de gato. e quer casar com a própria filha porque né, que que tem? super normal. aí a fada madrinha a obriga a fugir (porque senão ela casava, tá?). e tem umas cenas excelentes, tipo a princesa cantando uma receita de bolo. sério, ela não ~canta enquanto cozinha~, ela canta a receita ela própria. e coloca um anel dentro do bolo, e o príncipe faz com que todas as moças o experimentem para saber em que mão caberia - o que não faz O MENOR SENTIDO porque ele já sabia a quem pertencia o anel, ou seja, foi só pretexto pra praticar bullying cas gorda do reino. depois de mais umas cantorias sem nexo eles se casam e são visitados pelo rei e pela fada madrinha. que se casaram e aparecem lá de. helicóptero.

fim.

não consigo parar de rir disso:

ok, eu sei que minha vida não está exatamente ~cheia de atrativos~ no momento.
mas gente?
melhor notícia?
<3
eu não.
estou.
me divertindo.

só pra dar uma vaga noção de como a vida anda incrível, o momento mais legal da minha semana foi quando, procurando por vídeos sobre conjugação bacteriana, encontrei esse gif:

mas aí sinto fome, lembro que não tenho nada legal pra comer, e desalento mais ainda.

tá muito empolgante, tentem em casa.
mixtape tão avulsa quanto minha existência nesse momento. aqui.

daí a pessoa manda um email falando que precisamos retomar o projeto e pergunta o que eu gostaria de fazer. gostaria de fugir e me juntar a um circo, é a única resposta que me ocorre. gostaria de encontrar um lugar onde eu caiba, em vez de me sentir constantemente sobrando ou faltando – ou tudo ao mesmo tempo, como uma alice psicótica. gostaria de uma infinidade de coisas que me parecem muito distantes nesse momento. 

o meu problema é que toda vez que começo algo, imediatamente me ponho a pensar no fim. não os meios, não o caminho. o fim. o desfecho. e talvez o fim jamais chegue. talvez eu me aborreça antes. quem pode saber? por que preciso passar a vida neurotizando em torno de cada desimportância?

e por que eu acho de bom tom pensar nesse tipo de coisa às 2 da manhã?
essa regência está me deixando tão demente. assim, uns três níveis acima do normal. ontem havia combinado comigo mesma um ato de rebeldia programada - que consistiria em ir assistir django no meio da tarde, me entupir de pipoca e NÃO PENSAR - e na hora de ir pro cinema me vi choramingando mentalmente porque queria ficar na biblioteca só mais um pouquinho.

demente, eu disse.

mas fui mesmo assim. e fiquei tão triste. 
me pergunto de onde veio essa nova (e desnecessária) capacidade de encontrar tristeza nas mínimas coisas, porque né? quem no mundo se deprime num filme do tarantino?

dr. schultz me fez chorar como a bezerra que de fato sou.


:~

(sim, eu sou o tipo de pessoa que chega em casa e baixa o filme pra rever as partes críticas e deprimir ainda mais.)