as alegrias da vida jamais têm fim.

tô com dengue. eu acho.
não estou muito tentada a sair de casa na chuva pra confirmar. ou ouvir que é virose.
ou stress.
ou, sei lá, ENCOSTO.
porque nessas alturas da vida, não é mesmo? eu não duvido de nada. 
apenas torço pelo sucesso da rehab do roteirista da minha vida.
porque olha, novela do sbt perde.

you said "so go" with such disdain, you know?

tão atormentada, sabe.

eu tenho a impressão de que se não falar rápido vou explodir de tanta mágoa represada.

por outro lado, se começar a falar talvez não pare nunca mais e vire uma dessas pessoas que ficam em praças pregando sobre o apocalipse.


eu já fui rejeitada por tanta gente, de tantas formas diferentes, que comecei a pensar que vai chegar um momento em que nada mais vai fazer diferença, sabe? nenhum tipo de deslealdade vai me atingir. e isso me angustiava, essa possibilidade de me transformar em alguém que nivela as coisas boas e ruins numa escala de tons desmaiados que pouco diferem uns dos outros.

agora eu só consigo me perguntar que porra falta acontecer para eu me transformar nessa pessoa de uma vez, e finalmente atingir algum tipo de paz de espírito na vida.
sabe quando as coisas todas em torno de um assunto específico começam a dar muito muito errado?

e você fica ali na dúvida se é para perseverar ou se, pelo contrário, é o universo te mandando desistir daquela merda pelo amor de deus?

ou será que só eu sou retardada e acho que há o que ponderar, enquanto as outras pessoas todas já ligaram o frankly my dear e foram ali fazer outra coisa?


o tempo que eu gasto pensando nisso, minha gente.
não pode ser muito normal.

tédio: google analytics

não sei se posso chamar de tédio propriamente porque eu tenho, né, infinitas roupas para torcer, mas então olho para o céu tão bonito e azul e sem nuvens de onde mesmo assim CAEM GOTAS e eu não tenho a menor obrigação de compreender como é possível tal fenômeno, eu só consigo pensar que é uma artimanha de são pedro para foder com meu psicológico, e me irrito e jogo as roupas em baldes e volto pra cá.

portanto: as ternurinhas do google analytics de fevereiro/março.


categoria TÁ QUENTE!
  • a historia de uma mulher triste - aqui mesmo, mimimis variadíssimos, só chegar.
  • dinamica uma menina triste - muito dinâmica realmente! canto danço sapateio alfabetizo imito vampiro dou uma choradinha enlouqueço compro todos os post its tomo todos os sorvetes do universo e então já é hora de dormir pra começar igualzinho no dia seguinte.


categoria TÁ FRIIIIIO!
  • imagens de pesoas sicumeno - blog errado, amigo. blog realmente muito inadequado para se encontrar esse tipo de conteúdo nesse momento tão peculiar da existência.
  • pirocas alheias - nem próprias. nem emprestadas. que dirá alheias. aliás, já mencionei que amo muito essa busca? todo mês tem o momento pirocas alheias. morro com o alheias


categoria NÃO SEI LHE DAR
  • lado da bunda durmente o q e? - um avc glúteo, talvez? 


categoria PERGUNTO-ME O MESMO DIARIAMENTE
  • vc ta brincando comigo so pode - mas nunca estão, de fato, brincando. o que só torna tudo mais assustador.

e eu vou continuar resmungando, porque é de graça.

mas é que eu acabei de ler o amor nos tempos do cólera e fiquei assim tão injuriada, sabe?

cês juram pra mim que ficam comovidos com a história?

não tô perguntando se vocês acharam o livro bom, eu reconheço que o livro é bom.

mas gente. 

posso dizer?

que se florentino ariza não tivesse tomado um pé na bunda tão completamente avulso, ele JAMAIS teria acalentado aquele amorrrr por tanto tempo?

porque não teria, tá? desculpa dizer. se fermina não tivesse sido uma vaca a coisa toda não teria durado nem 5 anos, que dirá 50.

e se não fosse todo o cu doce e o desprezo e os desmandos, se fosse ela a correr atrás, ele teria desencantado.


e é isso o que eu acho.

e eu ando um pouco amarga.

acho que vou comer um chocolate.
eu sempre digo que dá pra estimar o tamanho da minha cara de desalento pela quantidade de chocolate que as pessoas começam a me doar do mais completo nada. 

nas últimas 72 horas pude acumular este modesto patrimônio:


nunca entendi o fenômeno, mas é tipo uma ciência exata. e não, nem tem nada a ver com a proximidade da páscoa, acontece sempre. e também sempre eu me pergunto, por que chocolates, especificamente? por que não prozac? por que não dinheiro? por que não pagam alguém pra vir me fazer um cafuné de uma vez?


(tinha um kitkat aí ontem, que infelizmente não viveu para ver o dia nascer)

(a caixa dos bombons roxinhos também já devastei, deixei esses 2 apenas para compor a imagem)

(me larguem)
hahahah, mais alguém se ligou no ato falho do post anterior?

que eu tinha escrito "i'll cry if i want you"

D:

quero mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você, freud.

e se você puder vir puxar meu pé à noite e explicar por que eu sou lesada nesse tanto, eu te agradeço muito.

it's my party and i'll cry if i want to, parte 1 de INFINITAS, aviso logo.

tudo o que eu queria, agora, era sentar para tomar uma cerveja (uma vodka, uma tequila, uma batida de chumbinho) com alguém que gostasse minimamente de mim e me explicasse que eu tenho, sim, o direito de estar me sentindo desse jeito.

mas aí lembro que nem bebo mais.

e que não seria capaz de falar com quem quer que seja sem achar que estou quebrando algum código de lealdade que muito provavelmente só importa para mim, nessas alturas.

e que sou, portanto, uma idiota completa.
bom dia, meu nome é raquel.
e eu surto na internet escrevendo posts de mimimi dadaísta às 5:40 da manhã porque, bem, todas as outras alternativas conseguem ser piores do que isso.

- tia, posso te fazer uma pergunta?

tenho calafrios. toda vez invariavelmente. e muita vontade de sair pela janela porque né. VAI SABER que tipo de pergunta virá. só jesus.

- pode, maria fernanda.
- hihihihi.
- vai, pergunta.
- como se escreve bocó?

~bocó~

soletrei e lá se foi ela.
só pra voltar dois minutos depois.

- tiiia, como que escreve idiota?
- idiota, maria fernanda?
- hihihihi.
- idiota não vou ensinar não.
- aaaaah.
- não, ficar chamando as pessoas de idiotas não é legal. eu posso no mááááximo te ensinar como se escreve "mané".

(todo um traquejo didático-pedagógico, percebam.)

daí soletrei. e olhei de rabo de olho pro papelzinho.

ela tinha escrito

BOCÓ
EU TE AMO
MANÉ

e foi muito contente entregar para seu paquerinha

+_+

em quem havia acabado de dar umas porradas porque ele a chamou de gorda do cabelo ruim.

+___+


o que me fez concluir pacificamente que temos todos 6 anos. nunca deixamos de ter 6 anos. só demos uma requintada no processo te amo não quero mais ser seu amigo cocô xixi sou seu amigo de novo vem brincar na minha casa. e chamamos pomposamente de dr.

mas não passamos de um bando de bocós.
aluninho de 6 anos só conclui seus afazeres mediante muita conversa, muita motivação, muito incentivo. engraçado que eu consigo, né. incentivar os outros. aí quando acaba a manhã eu venho pra casa deitar em posição fetal porque não consigo motivar a mim mesma.

sempre muito divertido ser eu.

só que aluninho tem uns papos de menino e fico ali num desespero porque né? só mulher nessa família. desconheço os procedimentos para lidar com exemplares do sexo masculino (de todas as idades, inclusive. mas acho que já deu pra notar isso.) e compenso minha ignorância fazendo qualquer coisa que ele sugira pra não deixar o samba morrer. tamos firmes na vibe drácula no momento. ele grita SOU UM VAMPIRO e finge que me morde e meu papel é basicamente morrer. assim umas 77 vezes. no chão, de preferência. 

aí hoje chego em casa e descubro que numa das morridas sentei num pedaço de massinha e passei o resto do dia indo aos mais variados lugares com uma mancha azul na bunda.

sucesso total.


(mas o que fode, o que realmente fode, é que desde que todo esse ritual começou eu estou com

ô ô ô ô-ô-ô, qui terrô!
ô ô ôôô ô ô
adançadovampiiiiro

na cabeça. repetindo todavida na vitrola mental, especialmente quando vou dormir.
depois, numa livre associação de idéias, também toca a dança da manivela.
depois tocam TODOS OS AXÉS DA DÉCADA DE 90.
e aí são 6 da manhã e o despertador toca e eu me estrebucho e chuto as cobertas e xingo.)
eu não sei dizer quando foi que notei que estava me tornando uma pessoa triste demais. acho que a gente nunca sabe exatamente. lembro que algumas semanas atrás estava procurando um papel e encontrei todas aquelas apostilas de anatomia cuidadosamente coloridas e cheias de anotações nas margens, e pensei na minha empolgação como algo totalmente alheio à minha pessoa, um comportamento que fazia parte de algum passado muito distante - quando na verdade apenas uns poucos meses me separavam daquilo.

houve outros sinais. parei de ouvir música e cada filme assistido se convertia em uma espécie de suplício particular, dividido em pedacinhos entrecortados por ataques de ansiedade. as coisas interrompidas, jogadas pelos cantos. os emails que nunca respondi. o caderninho que me segue por toda a parte, onde escrevo minhas listas e anoto o que quero fazer, foi se esvaziando de planos. no dia 10 de janeiro deixei um comentário para mim mesma: você está um pouco surtada, querida. mas isso passa. eu ainda estava tentando levar meu desmazelo na brincadeira. mas não passou. pelo contrário. tudo foi perdendo a cor imperceptivelmente, me encolhi, fiquei medrosa e perdi a vontade. eu me fechei na minha frustração, tanta decepção junta. congelei num ponto em que comecei a questionar minha capacidade, minha inteligência, minhas referências. cada defeito meu foi amplificado. e nesse momento perdi todas as chances. perdi o prumo, perdi meus planos, fiquei insegura e infeliz. e deu no que deu. 

vai levar tempo para consertar essa bagunça. para recolocar minha cabeça em ordem. desaprendi a priorizar porque a prioridade era me encaixar, pertencer, e agora nem mesmo sei como cheguei a esse ponto. afinal, o que é que eu estava tentando tão desesperadamente?

a minha sensação é a mesma de quando temos um pesadelo sem sentido e pela manhã não entendemos por que sentimos medo de algo tão absurdo.

a diferença é que ainda não estou muito certa de ter acordado.

eu tomo umas sacolejadas tão fenomenais que às vezes fico pensando se não é mais negócio ficar triste pra sempre. alegria é um troço tão dispendioso, e eu preciso pagar tão caro para usufruir de cada mínimo grão, que travo a cada passinho que preciso dar.

não consigo mais ir ali comprar um picolé de uva sem olhar para os lados achando que a vida vai dar um jeito de me cobrar por aquele instantezinho de contentamento. 

FODA-SE! :D,
responde o universo.
hoje um menininho queria pagar 10 centavos ao professor de inglês para que ele desistisse de dar a aula. 

por motivos éticos não posso dizer se estava ou não apoiando silenciosamente a iniciativa. mas olha, total pagaria 10 centavos agora para alterarem o fuso horário do rio de janeiro e já ser hora de dormir, porque tá um pouco chato existir - especialmente depois das 5 da tarde.


e tô pagando uns 50 centavos num talão de receita azul também, só chegar.
mas tive a sorte de não precisar saber o quão vazia seria a vida se não tivéssemos nos encontrado. e sou imensamente grata por isso.

feliz dia. 

:)

oi, gente.

as coisas aqui estão lentas por 2 motivos (além de todos os motivos outros aqueles sobre os quais falei obsessivamente por semanas):

motivo 1: meu computador queimou. mas não de uma forma normal, claro. ele apenas desligou, religou sozinho e continuou funcionando calmamente enquanto cuspia fumaça por todos os lados. desde então estou sem ele. as pessoas da assistência disseram que foi a fonte. quando ele me dava uns choques ótimos de fazer a mão grudar no gabinete, também disseram que era a fonte. a fonte é tipo a virose dos computadores. se não sabe diagnosticar, ponha a culpa nela.

motivo 2: não satisfeita em pagar todos os meus pecados com os alunos do ensino médio e ter sido gongada na regência (que tipo de pessoa é gongada na regência, aliás? só consigo pensar no bukowski falando "rodei no psicotécnico" - o que, vamos combinar, não é nenhum alento), agora estou também em uma turma do primeiro ano. do fundamental. amostras grátis de aluninhos, portanto. ontem foi meu primeiro dia e uma menininha passou cerca de 40 minutos ininterruptos cantando o hino de genovia,


que ela obviamente não sabia de cor e portanto tudo se resumia a um ciclo eterno de GENOOOVIA, GENOOOOOOOOOVIA, nanana na na nana GENOOOOOOOOOOOOOVIAAAAA extremamente relaxante num contexto "são 11 da manhã no verão do rio de janeiro numa sala de aula sem ar condicionado com outras 16 crianças".

ou seja.

tchau, gente.

até qualquer dia.

aaaaah, o domingo

assisti cisne negro de madrugada, todo um revertério, perdi o sono pensando num monte de coisa, só fui conseguir dormir de manhã e mesmo assim só pra ter um monte de sonhos desconexos com o pianinho dessa música ao fundo. muito agradável, acordei revigorada.

sabe uma coisa realmente muito chata de ser doida?

você NUNCA vai ter certeza se está ou não com a razão. 
fica sempre o germezinho da dúvida. estou sendo irracional? incompreensiva? difícil?

uma vida inteira dividida entre pedir desculpas pelo rompante e mandar todo mundo se foder. me dá vontade de manter uma espécie de quiz perpétuo. tipo:

se você acha que estou com a razão, aperte o 1!
se acha que eu deveria comprar óculos com bigodes e nunca mais me dirigir aos envolvidos de tanto constrangimento, aperte o 2!

etc.

não que eu VÁ FAZER ISSO de fato. enfim.

suspiro.

eu só quis dizer.
o problema é muito menos essa sensação de "e amanhã?" do que essa desconfiança que me assombra a cada cinco minutos de que amanhã será exatamente igual.

não sei se me faço entender.

assim, na vida.

nesse último mês eu virei a louca da foto, numa tentativa de me distrair e preencher o espaço deixado pelas palavras que não estavam dando conta e desistiram. acabei originando um diário muito mais consistente do que se tivesse tentado escrever a respeito.

eu gosto de pensar que sei o que dizer, e como dizer. descobrir o contrário foi um baque, um entre muitos. mas foi também a prova de que havia me afastado tanto de mim mesma que nada restava a ser dito. algo que no fundo eu já sabia, mas deixava de lado como se não tivesse importância.

meu primeiro impulso foi começar esse post falando que fevereiro foi um mês ruim. mas ele foi apenas justo e coerente com todo o resto do contexto. claro que essa simples constatação não faz a coisa toda menos dolorosa, mas pelo menos fica mais fácil de aceitar. 

essa semana peguei um caderno que havia posto de lado tempos atrás e comecei a escrever, sem me preocupar em ser coerente ou seguir uma linha de raciocínio. apenas colocar tudo para fora, de todas as formas e quantas vezes achar necessário. não estou nem perto de chegar ao fim do processo, mas foi a primeira vez em muito tempo que me dei o direito de sentir que se uma coisa me incomoda, então é, sim, relevante. precisa ser. ao menos pra mim. e é assombroso notar que já nem sei quando foi a última vez que pensei dessa forma. 

o que eu espero de março (e de todos os outros meses) é apenas não esquecer disso. e do resto vou cuidando quando for o momento certo.




os demais registros dos 28 dias mais longos do universo estão aqui.