eu não estou deprimida. eu sei o que é depressão e não é (exatamente) assim.

eu só estou aqui tentando não afundar. bem sossegada, bem apática, bem desprovida de grandes emoções. 

e se não estou achando que ninguém tem a obrigação de me dar uma bóia, também não vejo mais por que deveria ficar levando com âncoras na cabeça de graça.

acho justo.



~porque momentos cagados pedem metáforas idem~
mas aí ontem como se não bastasse assim a vida e seu maravilhoso conjunto da obra, o meu celular morreu. resolveu que não conectaria mais a internet. que é basicamente a única razão pela qual eu tenho um celular já que não ligo pra ninguém nunca. aí pronto, degringolou. porque eu já não tô boua e nem o telefone colabora e não é possível e mimimi. portanto pirei de leve e fiquei aqui tentando consertar.

das seis à meia noite.

(já enfatizei hoje como é legal ser eu?)

enquanto pessoa totalmente desprovida de conhecimento não tenho a mais vaga idéia do que fiz. só sei que em dado momento o telefone anunciou um reboot no sistema. e ficou lá. acendendo e apagando. eu querendo dormir, tentava desligá-lo e ele acendia a tela e informava que aê, palhaça, só de sacanagem vou começar tudo de novo.

acendendo e apagando.

e queeente.

nisso eu volto para o computador, porque em algum fórum em algum lugar do planeta alguém haveria de saber me explicar o que estava acontecendo. só que o computador, amigos, olhou pra mim olhou pra mim e fez assim:

BOO.
é ghost. fantasma do patrick swayze vai passar moedinha por baixo da porta a qualquer momento. nada a fazer. guardei o telefone numa gaveta, apaguei a luz e cobri muito bem cada milímetro da minha pessoa. só pra garantir, né.

ninguém puxou meu pé, no entanto.
e pela manhã tudo estava funcionando normalmente.

mas que porra.
a professora manda um bilhetinho na agenda da criança, solicitando uma reunião com o responsável para conversar sobre estratégias educacionais.

(o que é apenas uma forma muito muito sutil de falar que essa criança está inoperante, minha gente, essa criança não faz nada com sentido, estamos entrando em junho e ela segue desenhando bonequinhos no lugar das letras porque o alfabeto, né, essa coisa ultrapassada.)

responsável não toma ciência do bilhete.

professora manda outro, reafirmando a necessidade de marcar uma reunião.

responsável não escreve nada. porém, cola ao lado do aviso um papelzinho com salmo, desses que evangélicos te dão no meio da rua.


jesus proverá, né? quero crer.
a pessoa resolve marcar um evento na semana da jornada mundial da juventude. muito calmamente eu explico que olha, vão rolar uns feriados aí no meio do caminho, talvez seja melhor escolher outra data. porque sei lá, a pessoa pode estar distraída.

a pessoa fica puta COMIGO e manda um email para o grupo dizendo que "se alguém tiver algum problema com isso, é melhor avisar logo". gente, que recalcada? é quase como se o feriado tivesse sido obra minha pra sacanear com o projeto. e o papa estivesse vindo ao rio de janeiro exclusivamente para comer biscoito globo na praia comigo.

a galera realmente acredita que eu sou o receptáculo de pitis da humanidade, né. 
só isso explica tanta falta de senso. 

todas as minhas paranóias plenamente justificadas nesse momento.

a pessoa encontra um diário no lixo e monta uma exposição.

gente.

eu nunca mais vou jogar nada fora.

tipo assim.

nunca. mais.

choque & incredulidade da semana: reunião de pais

(da qual eu não estava participando, GRAÇAS A DEUS, mas precisei entrar na sala pra pegar uma coisa e estava lá uma mãe muito indignada falando de sua cria.)

- eu não quero que minha filha seja lenta.

oi?

(sério, a única reação da coordenadora foi: oi?)
(não a julgo)

- a minha filha, professora. a fulana. é muito lenta, eu não quero que seja. 

eu. não. quero. que. seja. tá bom?

liga pro procon, né, senhora. quem sabe?

mas vou logo avisando que não tenha muitas esperanças. porque se houvesse essa possibilidade, minha mãe teria sido a primeira a utilizar.
hoje eu tinha acabado de sair de casa e uma velhinha me olhou com uma cara de cu gigantesca e fez "tsc, tsc, tsc" pra mim. e tipo. eu não tava com a bunda nem os peitos de fora e tinha acabado de lavar o cabelo, ele ainda estava sob controle. só o meu vestido que estava meio amarrotado. da última vez que chequei isso ainda não configurava falha de caráter mas vai saber, né. de modos que em vez de perguntar se estava cagada, apenas elevei meu espírito e segui em frente.

duas horas mais tarde, entrando no banheiro do rio sul, uma mulher que vinha saindo pegou no meu braço e berrou um JESUS TE AMA assim tão extremamente capslouco que eu nem consegui esboçar a reação apropriada. que seria, sei lá, gritar MORRA!, surtando porque uma crente maluca desconhecida travou contato físico não solicitado COM MÃO DE BANHEIRO com a minha pessoa. mas não fiz nada. apenas elevei meu espírito e segui em frente.


daí eu queria saber: toda essa elevação espiritual pode ser trocada por um bônus pra não precisar sair da minha cama amanhã?

nem é preguiça, gente.
é medo mesmo. 

it's friday i'm in love

- que dia foi esse?
sério mesmo.
estou atormentada.

- o que aconteceu?

- você quer dizer, depois que um menininho fez xixi no chão e todos acharam de bom tom patinar no mijo?

- ...

- acho que mais nada.

- ...


sabe o que é pior?

a lagartixa-bebê foi andando calmamente para trás da cômoda. ela vai ficar lá por um tempo, eu vou esquecer que ela existe, e num dia qualquer às 6 da manhã vou enfiar a mão na gaveta para pegar uma blusa e ela vai estar lá, e eu vou encostar nela e ter um ligeiro faniquito porque não curto bichos geladinhos misturados com as minhas roupas, muito menos de manhã cedo. e depois vou me sentir ridícula, porque é só uma lagartixa, minha filha, se controla.


sim, eu já planejei tudo.
tem uma lagartixa no meu quarto.

quero dizer. ALÉM DE TODO O RESTO, tem uma lagartixa no meu quarto.

acordei às 10 porque estava chovendo oceanos e foda-se tudo nem me pagando muitos dinheiros eu perco duas horas da minha existência sentada no chão do 485 num dia como hoje e morram todos. e fiquei no escurinho ponderando sobre esse ato de rebeldia que vai me valer toda uma cara feia na semana que vem. tava ali contemplativa, observando uma rachadura na parede.

até que a rachadura andou. 

D:

e sério, eu não tô ASSIMILANDO o que que esse bicho veio fazer no meu quarto. eu sou frouxa, não vou matar. é uma lagartixa-bebê com olhinhos brilhantes, gente, não posso matar. aquelas experiências agradabilíssimas dividindo barracas com os seres mais esquisitos do reino animal me deram todo um pudor de fazer chilique por causa de qualquer bicho que não tenha ferrão, não morda e seja menor do que eu.

então ou a lagartixa-bebê sofre alguma mutação tipo um rabo de escorpião ou 3 fileiras de dentes, qualquer coisa assim que me intimide e me forneça permissão mental pra dar uma sapatada nela, ou viveremos juntas para sempre. 

é isso.

fireproof

fortíssima candidata ao posto de música da minha vida #57.


(mas sei lá, sou só eu ou mais alguém sentiu uma dor-de-cotovelo nesse disco novo? um recalque, uma amargurinha? pior: quem aí se sentiu ouvindo u2? fiquei meio incomodada porque me sinto na obrigação de amar um disco que se chama trouble will find me, por razões mais do que óbvias. darei mais uma chance, portanto. não vá para a luz ainda, matt.)

uma preguiça

de falar (porque vou parecer encrenqueira), de não falar (porque vou parecer antipática), de escrever (porque posso ser mal interpretada), de ficar quieta (porque podem confundir com tristeza depressão etc), de relaxar e simplesmente ser eu mesma (NUNCA ACABA BEM), de ir ali na cozinha arrumar algo pra comer (gastrite) ou só pegar outra latinha de pepsi (celulite), então apenas fico aqui riscando os dias que passam no calendário (tédio, olhar bovino), enquanto me pergunto como uma pessoa tão sensacional e inteligente (eu) pode ter se enrolado tanto nessa vidinha mais ou menos (mimimi).
mal tinha passado pelo portão e veio um menininho muito afobado por motivo de dúvida existencial gravíssima:

- tia, é ruim falar ~força na peruca~?

hahahahah, meu deus, como eu adoro crianças de 6 anos. assim, quando tenho para quem devolvê-las no fim do dia.

não é ruim não, amiguinho. só se você fizer questão de que feliciano te represente, né. aí acho que você vai ter alguns problemas. mas de resto tá liberado, viu. desencana e força na peruca.
naquela categoria de coisas que compro para me divertir e só me irrito entrou esse mp3 bonitinho e baratinho que comprei para animar minha zombie walk diária - aqueles 15 minutos que levo para andar da escola até minha casa no fim da tarde, tentando desentupir meus ouvidos de cinco horas de gritinhos ininterruptos.

o que eu não imaginava, quando o trouxe para casa, é que nós divergiríamos profundamente no nosso entendimento da serventia do botão shuffle. para mim, significa que todas as músicas do arquivo serão mais ou menos revezadas. para ele, significa montar uma listinha com cerca de 15 itens e repeti-la até a demência.

depois de passar semanas puta e com vontade de jogar o mp3 no mar, desisti e me apeguei tanto à listinha que escolhi as 8 mais amor e montei uma mixtape. e agora quando ele funciona direito eu fico meio desconcertada sem saber o que esperar. sou tão demente, meu deus. 

para ouvir, clique aqui.

NADA VEM FÁCIL.

e o disqus resolveu que os comentários ficariam todos BRANCOS no fundo BRANCO e eu fiquei destemperada com essa situação e migrei pro intense debate mas tá tudo bem agora. acho.

quer dizer, se ninguém ficar puto comigo porque os comentários dos últimos 3 dias sumiram, mas algo me diz que todos os frequentadores dessa bodega já estão acostumados com esse tipo de coisa.



e para a pessoa sollips, que comentou no post anterior: eu nunca recebi nenhum email com musiquinha. não me bata. :~
uma coisa com a qual não sei lidar: essa coisa de fazer uma pausinha a cada 50 minutos de estudo.


não sei se é porque minha mãe sempre preferiu uma abordagem mais dinâmica, tipo SÓ LEVANTA DESSA MESA QUANDO TERMINAR OU VAI PRA ESCOLA DE CARA INCHADA AMANHÃ (o que, convenhamos, dá todo um alento na pessoa com déficit de atenção), mas a questão é que a tal da pausinha consegue gerar em mim uma ansiedade maior do que a de ficar horas debruçada sobre a mesma coisa. porque, sendo como sou, a chance do intervalo de 10 minutos se transformar num lapso temporal de cinco horas e meia é altíssima. e se você perguntar o que eu fiz durante esse tempo eu não. vou. saber. te. responder.

aí eu faço o quê? viro a louca das atividades-de-10-minutos para preencher as pausas que supostamente são tão importantes para o bom funcionamento do meu cérebro & memorização do conteúdo. mas depois de pintar todas as minhas chaves com esmalte, arrancar lascas da mesa com um estilete tentando cortar papel, subir numa cadeira para olhar a parte de cima do armário sem nenhum objetivo claro (tipo aquela comunidade "eu abro a geladeira pra pensar", sabe?), derrubar lá de cima uma caixa CHEIA DE CADERNOS e me deparar com todos os constrangimentos da safra 2000-2010, eu vos digo: pausinha não faz bem pra saúde mental não, hein. engodo total.

agora estou aqui com essas desgraças num saco lacrado com muitos metros de fita adesiva decidindo onde vou despachar tudo isso. nem fodendo que vou colocar no lixo daqui, só consigo imaginar o lixeiro num momento de tédio abrindo o saco e lendo 10 anos de embaraços e vindo aqui me pedir um autógrafo depois.

(menos a gata e a bolsa)

eu ando numa má vontade tão grande com esse ano que até para fazer coisas mínimas que eu mesma me propus - como o resuminho do mês com fotos cagadas - dou um jeito de deixar pra depois, e ~amanhã eu vejo isso~, até que fique sem sentido.

tem coisas na minha lista de ~amanhã eu vejo isso~ que datam de janeiro.

o problema é que 2013 já começou cagado. arrastando as pendências do ano passado e da greve e da convivência com pessoas uó que durou 5 meses além do programado. mas tinha aquela luz, aquele pontinho ínfimo de esperança, que consistia em respirar fundo até fevereiro, entregar o relatório e adeus.

mas fevereiro resumiu-se no maior FUÉN já visto na história desse país. e não teve relatório. porque eu fui gongada na regência. e por ter sido gongada na regência precisei jogar minha formatura para dezembro. e por jogar minha formatura para dezembro... enfim, acho que já deu pra perceber o DRAAAAMA de toda uma existência. 

então eu fico aqui apertando o f5 de sites que não me interessam e fazendo listas de coisas que não vou cumprir porque tudo isso me interessa tão pouco no momento, sabe? tudo o que eu quero é me livrar dessa sensação de inutilidade, de estar dedicando tempo e energia para me formar num troço que sei lá, não me diz mais nada. talvez nunca tenha dito, eu só me senti na obrigação de escolher alguma coisa, qualquer coisa e agora tamos aí. quando qualquer curso na área de humanas teria feito mais sentido.

mas enfim.

as fotinhos de abril.
e as fotos de março - que mês cagado, minha gente. que mês esquisito.


ah, sim, resolvi abrir de novo os comentários porque depois de um ano acho que as pessoas completamente doidas que me falavam inconveniências já devem ter arrumado outra pobre alma para canalizar aquela obsessão marota.

descobriremos em breve.
- tia...

*tapinha no meu braço*

(estudos comprovam que 10 em cada 9 vezes em que a criança chega dando tapinha no seu braço, é merda. criança feliz chega pulando, gritando, te cuspindo. tapinha não é bom sinal. temam sempre o tapinha.)

- que foi?

- ...

- fala, meu filho. o que aconteceu?

- é o celso.

- que que tem o celso?

- ele tá... pegando no meu piru.

- hmm.


no meio da aula, compreendem? o celso achou de bom tom. inclusive olha, nada contra, afinal QUEM NUNCA, não é mesmo? mas.

eu tô ganhando muito pouco, é só isso que eu acho.

At a certain point in your life, probably when too much of it has gone by... you will open your eyes and see yourself for who you are... especially for everything that made you so different from all the awful normals. And you will say to yourself... But I am this person. And in that statement, that correction, there will be a kind of love.


phoebe in wonderland. apenas para as pessoas desprendidas que não se importam de chorar 25 litros e ir pra rua amanhã cedo com cara de tubarão martelo.