daí que hoje meu cadastro na biblioteca foi suspenso por um mês. não tem limites, o ridículo em minha vida.

a suspensão do cadastro é proporcional ao tempo que você atrasa a devolução de um livro. e tinha esse livro de fisiologia em meu poder por 30 dias além do permitido. um livro que eu peguei para estudar para uma prova de neurofisiologia que NEM CHEGUEI A FAZER porque, digamos assim, minha própria neurofisiologia estava completamente comprometida pelos acontecimentos.

é muita merda junta. gostaria de ser metafórica e bonita nesse momento, mas só tenho isso a dizer mesmo: muita. merda. junta. não tô dando conta. não mais. apenas what's the point? nesse momento.

eu tô tão puta da vida, sabe, e é tão frustrante ver a minha mágoa escoar inutilmente, sendo rebaixada como um sentimento de menor importância. é tão injusto. eu tô tão completamente despirocada de tristeza e de não entender porra nenhuma e de remédio pra dormir e pra ficar acordada e pra pensar um pouco menos por 15 minutinhos. caralho, se me disserem que lamber uma tampa de privada alivia isso que eu tô sentindo eu experimento. eu tô aceitando qualquer coisa. se alguém tocar a campainha agora perguntando se quero virar testemunha de jeová em troca de meia hora de paz de espírito, sei lá, eu não me responsabilizo.

eu vou dar um tempo disso aqui porque não consigo mais lidar com absolutamente nada. não consigo PENSAR que qualquer coisa escrita aqui possa estar sendo utilizada como material para mais risadas, mais massagem de ego. não consigo pensar. ponto.


:*

às pessoas-xuxus que ficaram tensas achando que eu ia pular da ponte depois do último post:

informo que a ponte mais próxima da minha residência deve ter uns 50 centímetros de água embaixo dela, portanto não.

mas obrigada. troféu blanche dubois da gentileza com estranhos pra vocês. 

(mesmo mesmo)

ocorre que depois de 3 décadas de marketing incessante do próprio peixe para ABSOLUTAMENTE NADA a pessoa pode surtar um pouco. e começar a escrever emails contendo a expressão "emocionalmente descontrolada" para falar de si mesma.

perfeitamente normal, eu acho. porque sabe. eu não peço coisas. sério mesmo. eu sou cheia de pudores e receios de estar incomodando, sobrando, invadindo. mas aí as pessoas me oferecem coisas eventualmente. e eu aceito muito com o pé atrás, porque né? cê tá falando sério? é pra valer essa porra? e aí, bem.


GLUGLU IÉIÉ.

apenas.

é uma porra de uma pegadinha do mallandro infinita a minha vida. e o mais excelente é que eu me transformo na inconveniente por continuar querendo o que disseram que me dariam. sabe? é ridículo. eu me sinto como alguém que deixou de ler as letrinhas miúdas do contrato todas as vezes.


enfim.

só queria dizer que estou assistindo a primeira temporada de in treatment e consegui me identificar com absolutamente todos os pacientes até o presente momento.

receio que isso diga qualquer coisa de esquisito a meu respeito.
estranho como às vezes o meu amor tem a capacidade de fazer aflorar o pior de uma pessoa, e não o melhor. e quanto mais eu amo, mais forte fica esse espectro, e com mais violência me agride. a intensidade da repulsa que eu desperto é a medida exata do meu desespero em evitá-la.

é como se eu envenenasse quem mais tento alimentar.

filmes de junho

pouquinhos por causa do drama do computador que jamais voltava.

david lynch é muito útil para aqueles momentos em que você quer se distrair com um filme mas não está em condições psicológicas para lidar com nada bonitinho, fofinho ou meloso. laura palmer parte meu coração. muito. sempre. o mais estranho é que nunca cheguei a assistir o seriado inteiro. eu tenho um bloqueio maluco com seriados curtos, guardo indefinidamente os episódios finais para assistir num dia chuvoso. é assim com twin peaks e foi assim com carnivàle. que também tem o michael j. anderson.  <3 sinto muita ternura por essa pessoa mas particularmente prefiro quando ele não está falando de trás pra frente.


2. somewhere (2010)
vi numa crítica que esse filme devia se chamar nowhere, de tão avulso que é. ô, gente. eu gosto da sofia coppola exatamente porque todos os personagens dela têm essa cara meio extraviada e ficam caraminholando ali tranquilamente em torno dos seus respectivos umbigos, e é tudo lerdo, sonolento e sem muito propósito. ou seja: me representa. hahahaha.
mas fiquei com uma impressão esquisita de que estava assistindo a alguma releitura meio falida de lost in translation e gente, se era essa a intenção podia ter chamado bill murray de novo e todo mundo ficaria mais feliz.

3. sophie's choice (1982)
duas horas e meia de meryl streep sendo linda em todos os níveis e esfregando o talento dela na sua cara. mas se você for uma pessoa ocupada e não dispuser desse tempo, não se preocupe: a televisão do 107 conta o final pra você. sério. SÉRIO. a programação da tv do ônibus agora tem um momento ~clássicos do cinema~ e numa dessas aparece a legendinha explicando que sofia é traumatizada e mostram. a. cena. e eu sou essa pessoa que foca nas coisas erradas e ficou se perguntando SPOILER que tipo de pessoa inventa ser biólogo, hahahahaha. mas nathan entrou fácil para o meu top 5 esquizos então relevei esse desvio de caráter dele.
(e para quem gastou a vida inutilmente lendo/assistindo água para elefantes. gente, tá tudo ali, né? o casal, o doido, o triângulo amoroso, até a cena da comemoração. plágio descaradíssimo.)
<3

eu sou retardada, será? jamais crescerei? porque algo me diz que eu deveria estar gastando minha noite de sexta com qualquer coisa mais edificante e apropriada à minha faixa etária.

estou com tanta pena de ver os episódios restantes. como viverei sem bill haverchuck, gente?

:~
então, né. 

eu me apeguei TANTO à questão do aniversário e do novo dia de um novo tempo que começou, mas aí fui dar aquela olhadinha descompromissada no personare (também conhecido como o último refúgio do ser humano desesperado) e ele informou que minha revolução solar na verdade foi dia 8. às 18:57h.

tratei de lembrar qual era a atividade altamente edificante que estava realizando nesse momento tão crucial da existência e tipo. 
eu tava aqui assistindo freaks & geeks.

hahahaha, gente, imagina se foi alguma espécie de presságio?

mas calma.
porque aquário regerá meu ano.

:O

aquário dirigiu a temporada 2009/2010, né. só pra situar vocês. uma das épocas mais peculiares da minha vida, a age of aquarius. deu até um alento.

(se você é uma criatura cética posso apenas argumentar que:

2010/2011 - dirigido por câncer. o rei do mimimi.
2011/2012 - dirigido por peixes. drama e mais drama e mais drama e eu já mencionei que estava um pouco propensa ao drama? ok.
2012/2013 - dirigido por escorpião. quando o mimimi se encontra com o draaama e com ela, a terrível MÁGOA DE MIGUXA.

agora vá aos arquivos e comprove.)


de modos que a tendência aparentemente é melhorar. embora ainda não haja nenhum indicativo concreto de como se operará esse milagre.

31 today

eu não queria festejar nada hoje.

sem entrar no mérito de ter (ou não) razões para comemorar, porque nunca entendi, nem mesmo quando era criança, o que exatamente deveria estar comemorando ali. sempre achei aniversário uma data introspectiva, sei lá.

mas eu acredito e sou apegada a ciclos. a inícios e términos. 

e se existe algo que eu desejo para esse ciclo novo, é não sentir mais medo. eu senti medo de tudo, absolutamente tudo, a vida toda. já me perguntei muitas vezes se é fruto da forma como eu fui criada, se é genético ou se eu seria desse jeito independente de qualquer coisa. nunca cheguei a uma conclusão. tudo o que sei é que o medo comanda cada uma das minhas decisões. sempre foi o medo (e não a ausência dele, como quem olha de fora costuma pensar) que me impulsionou a fazer toda a sorte de merdas. o medo me obriga a implodir as situações que mais me apavoram porque isso me dá a ilusão de que estou no controle, de que determino a hora em que vou me magoar já que o sofrimento parece ser inevitável. eu me agrido antes que o façam, me agrido para que não o façam. às vezes me agrido para ver quem vai sobrar, sabendo de antemão que nunca sobra ninguém. e é só nesses momentos de solidão, quando não resta nada além do alívio momentâneo de não ter mais o que perder, que eu me pergunto de que outra forma as coisas poderiam ter acabado, se eu me permitisse escolher sem uma faca no pescoço.


estou disposta a descobrir, dessa vez. com o que der, como der.

feliz ano novo pra mim.

everyday is like sunday mas acho que até morrissey já teria perdido a paciência comigo nessas alturas

na minha cama há montinhos de roupas e coisas e livros. como se estivessem esperando o momento de serem enfiados em uma mala, mas não há lugar nenhum para ir.

não sei existir nos finais de semana, quando minha contemplação solitária precisa ficar trombando nas famílias barulhentas e naquele monte de casal fazendo gracinha um pro outro. enfim, nas pessoas acompanhadas em geral.

não sou uma pessoa acompanhada e às vezes isso pode ser muito exaustivo. por isso apenas evito maiores sentimentos apertando o fast forward dos domingos apelando para qualquer coisa que me faça dormir, a fim de manter a sanidade para retomar a programação normal em horários alternativos tipo terça-feira às 9 da manhã.

(nem sempre funciona)

.


post secret de hoje resumindo todas as zicas do universo em geral e da minha vida em particular.

.

nenhum outro sentimento jamais chegará aos pés da devastação de saber que não sou uma dessas pessoas das quais não se abre mão.

acho que todo mundo tem alguém assim. alguém cuja ausência mudaria tudo. que ativa aquele instinto de preservação maluco de querer manter por perto, de não se imaginar sem.

bem, eu não sou essa pessoa. nunca fui.

e a sensação é terrível.

o blogger resolveu que não mais aceitará posts sem título, e o único título que considero apropriado ao momento é MERMÃO, COMO EU SOU OTÁRIA?

não, mas aí vocês entendem?
por que eu só posso ser completamente surtada?
porque eu realmente não saio pela vida pedindo coisas. eu evito a fadiga.
mas aí eu vou lá e dou a cara a tapa pra pedir algo que JÁ ME HAVIA SIDO OFERECIDO.
e a pessoa ri da minha cara. por escrito.
e então eu descubro que sou tão ordinária que não mereço nem, digamos assim, o privilégio do escárnio presencial.
(que dirá todas aquelas outras coisas com nomes tão nobres.)
e eu fico aqui pensando que GENTE, como é possível que eu fique mais burra a cada rodada?
enquanto cogito dar um google em "lobotomia + caseira".

mas isso não é motivo pra sair completamente da casinha, não.

imagina.

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hoje eu mandei um email falando muito sério.
e ganhei uma gargalhada como resposta.

(gargalhada por escrito é sempre uma coisa muito complexa. a gente não tem como avaliar o percentual de deboche.)

eu tinha a tarde toda livre mas estava numa ansiedade maluca, dentro de uma salinha escura no ccbb assistindo a uma projeção de slides de nan goldin (que bem podia se chamar heartbreak em vez de heartbeat, dado o colapso que gerou em minha pequenina mente já tão prejudicada).

e achei o contexto todo de uma ironia tão fina que apenas fiquei sentada ali, e assisti tudo de novo mais duas vezes porque realmente não fazia sentido estar com tanta pressa para coisa alguma.



(não, aí eu tava vindo embora e atrás de mim uma vozinha gritou TIAAAAARGH! e eu pensei NÃÃÃÃO, senhor, será possível? que até na minha tarde de folga? mas olhei pra trás e era só um grupo de crianças desconhecidas de 7/8 anos. na exposição. discutindo diane arbus, compreendem? "tia, por que esse moço tá usando sutiã?" e tal. achei tão amor que restaurou uns 0,28% da minha fé na humanidade.)

barba ensopada de sangue

Não é uma escolha. Não existe escolha.

Não?

No fundo, não.

Se é assim, por que o rancor? Por que o rancor se ninguém escolhe nada? Se a gente só obedece ao destino, ninguém pode ser responsabilizado pelo que faz. Não é? Tudo o que eu fiz, que tu fez e que teu irmão fez não passa de destino. Não tem o que perdoar porque ninguém é culpado.

Mas é assim. Ninguém escolhe nada e mesmo assim a responsabilidade é nossa. É assim. Não sei explicar por quê. (...) Sei que não existe escolha e que mesmo assim a gente precisa viver como se existisse. Só isso.

.


eu não sabia que estava me dando um prazo, até que de certa forma ele expirou entre ontem e hoje.

eu sou, sim, uma pessoa dramática. mas não busco nenhum tipo de vantagem com isso. o meu drama é meu, porque é através dele que me entendo. gostaria que houvesse uma forma mais simples, mas nunca encontrei nenhuma. 

no decorrer dos acontecimentos usaram o que escrevi no outro post para dizer que "com quase 31 anos eu deveria entender que as pessoas não agem da forma que quero". ou algo assim. e gente. isso foi a primeira coisa que eu aprendi na vida. se houvesse uma pergunta, estaria mais para O QUE É QUE PRECISO FAZER PARA QUE AJAM DA FORMA QUE EU ESPERO UMA ÚNICA VEZ NA EXISTÊNCIA? porque o que eu espero é tão simples e óbvio que chega a ser meio ridículo. e mesmo assim dá errado toda vez. então minha sugestão de pauta para o próximo palpite edificante seria essa: MAS QUE PORRA EU PRECISO FAZER? porque mais humilhante que perguntar é ficar aqui tentando de todas as formas para ser excluída de novo e de novo e de novo. e tudo o que recebo como resposta é silêncio, desculpas e empecilhos que não dão conta de explicar por que eu sempre acabo de mãos vazias, não importa o quanto tenha dado.

enfim. eu só queria dizer. vejamos se agora esse encosto de john keats desiste de puxar meu pé e eu paro de agir como essa versão desvalida de mim mesma.